O BEJENSE

JORNAL DE UTILIDADE E RECREIO

Arquivo digital da secção de noticiário do semanário O Bejense entre 1860 e 1881

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Edição 1 1860-04-03

Procissão

Teve logar na noite de 30 de Março a procissão da venerável Imagem de Nossa Senhora das Dores. Esta confraria, cujos rendimentos são apenas as fintas dos irmãos, e as esmolas dos devotos, nunca deixou de praticar este acto de verdadeira devoção. Tocou a banda de caçadores 8, e uma força do mesmo corpo fazia a guarda de honra. Um grande numero de pessoas de ambos os sexos e de differentes jerarchias, acompanhavam a procissão, formando um brilhante e luzido préstito a que presidia a melhor ordem e decencia. O povo de Beja houve-se, como costuma n’estes actos de reverencia e de respeito, com a maior moralidade e pacificação. Entre as massas que se apinhavam nos largos, e nas ruas por onde a procissão devia passar não houve um só acto que alterasse o socego publico ou que deslustrasse o caracter de seriedade, que se deve ao culto da religião.

Beja · Portugal
Edição 1 1860-04-03

Destacamento

Chegou no dia 31 de Março a esta cidade um destacamento de Artilheria n.º 2, que regressou do Algarve, commandado pelo 2.º Tenente Ignacio Augusto Nunes; no dia Seguinte marchou em direcção á villa da Cuba, para d’alli se dirigir a Elvas, onde tem o seu quartel.

Algarve · Cuba · Elvas · Portugal
Edição 1 1860-04-03

Tempo

Nos últimos quatro dias acabou os ventos começaram a soprar do Sul e Sudoeste, e a atmosphera a carregar-se de humidade. Na madrugada de 31 começou a chuva a cahir, branda mas aturada, e conservou-se até á noite do dia 2, quasi sem interrupção. A mudança de tempo fez um grande benefício para os campos de Beja, porque as searas começavam já a sentir a falta da chuva.

Beja · Portugal
Edição 1 1860-04-03

Subscrição

Tem corrido ha dias n’esta cidade uma subscripção, promovida a favor do sr. Joaquim Antonio Gamito, que teve a infelicidade de ver a sua casa devorada pelas chamas de um incêndio na noite de 10 do passado. O sr. Gamito, appellando para os generosos sentimentos dos habitantes de Beja, fez justiça a este povo, cujo coração está sempre prompto a tomar parte na adversidade de seus semelhantes. Em desastres d’esta ordem, que reduzem á indigência e á miséria o producto das fadigas de muitos annos, a philantropia é a maior das virtudes, e o homem, que, enxugando as lagrimas de uma família, procura minorar-lhe os soffrimentos, tem praticado uma acção digna dos maiores louvores.

Beja · Portugal
Edição 1 1860-04-03

Ordem

Acha-se franca a entrada do trigo e do centeio estrangeiros pelos portos seccos e molhados do continente do Reino, acabando a permissão da entrada livre do trigo no dia 30 d’Abril, e do centeio no ultimo dia de Junho.

França Exterior / internacional
Edição 1 1860-04-03

Por causa da chuva

Por ter chovido no domingo desde pela manhã até á noite, não pôde sair a procissão de Ramos, que é uma das que se faz em n’esta cidade com mais apparato, e grandeza.

Edição 1 1860-04-03

Não ha muitas mattas

Conta o Direito que Mr. P. Tuthill, um dos advogados mais distinctos de Limerick, não podendo sobreviver á immensa tristeza que lhe causara a morte de sua mulher, cortara o pescoço com uma navalha de barba.

Geral
Edição 1 1860-04-03

Caminho de Ferro de Ciudad-Real a Badajoa

No dia 4 do corrente teve logar a inauguração dos trabalhos d’esta importante linha ferrea que deve entroncar com o nosso caminho de ferro de leste. A ceremonia foi com grande pompa, e, o que ainda é mais, com verdadeiro e expansivo jubilo do povo. Por aquella solemne occasião o governador, D. Henrique de Cisneros, pronunciou um discurso n’esse logar, do qual publicámos o seguinte paragrapho: Na inauguração d’este caminho de ferro ha n’esta circumstancia de muita valia para todos os bons espanhoes: não é possível olvidar que quando de Ciudad-Real a primeira locomotiva levando por escudo os leões de Castella, outra locomotiva partirá de Lisboa ostentando no seu escudo as quinas lusitanas! Solemne será o momento em que essas locomotivas se encontrem na fronteira de ambos os reinos! Se d’além gritam: Viva a Hespanha; nós respondemos: Viva Portugal. Juntas e cruzadas as bandeiras se saudarão mutuamente; e a não ser hespanhoes e portugueses, verão sem o ia—o da sua respectiva nacionalidade e independencia, realisadas a união e concordia de todos os filhos da peninsula! Oxalá que esse dia chegue quanto antes, ainda que seja o ultimo da minha vida! Também nós anhelâmos o momento em que se dê esse fraternal abraço entre os membros de uma mesma raça, entre os filhos d’essa bella peninsula. Assim elle seja sincero, leal e de eterno esquecimento de antigas reconvenções. (Federação de 24 d’Março)

Ciudad Real · Lisboa · Espanha · Portugal Caminho de ferro · Exterior / internacional
Edição 2 1860-04-10

AGRADECIMENTO

Christovão Pereira agradece por este modo aos seus amigos, que o cumprimentaram, quando em janeiro ultimo regressou a sua casa, visto que a continuação do seu padecimento o impossibilita de o fazer pessoalmente como desejava.

Edição 2 1860-04-10

Medida louvavel

A camara municipal desta cidade, incansável em promover os interesses do município, trata de ensaiar a cultura dos pinheiros no sitio denominado os Coitos. A medida da Camara é tanto mais acertada quanto é verdade que entre nós escaceam as madeiras necessárias para differentes construções, demandando muitos sacrifícios e despesa a sua importação.

Câmara Municipal
Edição 2 1860-04-10

Partida

N’um dos dias desta semana parte para Lisboa S. Ex. o Bispo desta diocese.

Lisboa · Portugal Igreja
Edição 2 1860-04-10

Caça aos lobos

Domingo, 15, deve ter lugar uma montaria na charneca dos Coveiros. São incalculáveis os prejuizos que os lavradores d’aquelles sitios tem soffrido nos gados, que se apascentem nas suas herdades. Confiamos em que todos concorrerão da melhor vontade para debellar este grande mal, consequência do pouco zello com que tem sido tratado entre nós a Agricultura; pois bem poderam ser fontes de bastante riqueza muitos terrenos que attendendo á disposição da Natureza só servem de refugio a animaes damninhos.

Edição 3 1860-04-17

Exhumação

No dia 12 do corrente, no Convento das Religiosas de N. S. da Esperança desta cidade, S. Ex.ª o sr. Bispo d’esta Dioceze, acompanhado de alguns facultativos, mandou proceder á exhumação dos preciosos restos da Veneravel Madre Marianna da Purificação. Encontrou-se o corpo da Santa-Religiosa em perfeito estado de conservação. Tem estado á exposição publica n’estes últimos tres dias, concorrendo immenso povo não só desta cidade, como também das terras circumvisinhas. Em breve o nosso jornal dará conta ao publico do que houver a este respeito.

Igreja
Edição 3 1860-04-17

Queria, mas não pôde

Na quinta feira passada, 12 do corrente, um recruta, que tinha sido remettido pelo Administrador do Concelho de Serpa para ser inspecionado pela Junta, tendo sido declarado apto para o serviço militar, logo á sahida do Governo Civil entendeu, que era occasião favoravel para escapulir-se.

Serpa · Portugal Governo Civil
Edição 3 1860-04-17

Abundancia de prata

As ultimas noticias da Califórnia confirmam a descoberta de um jazigo argentifero na Serra Nevada, que se estende, sem interrupção de continuidade, sobre um espaço de 36 milhas. O minério representa, segundo se diz, um valor de quatro a cinco mil dollars por tonelada, o que é uma riqueza superior ás minas do México. O que está averiguado é que a casa Rothschild, de Londres, mandou ultimamente á Califórnia um dos seus agentes dos mais peritos para fazer experiências sobre o proprio local e expedir para a Europa o minério bruto ou afinado. Se as minas da Serra Nevada forem unicamente metade do que promettem, a antiga relação entre os dous metaes preciosos da circulação monetária não tardará a restabelecer-se. (Commercio do Porto de 10 d’abril)

Londres · Porto · Europa · México · Portugal · Reino Unido Exterior / internacional
Edição 3 1860-04-17

Bixos de seda

Regressaram já á Hespanha os indivíduos que compunham a commissão de agricultura, que só por amor ao seu paiz, sahiu em direcção ao celeste imperio, afim de obter uma grande porção de semente legitima de bixos de seda. Parece que os commissionados se internaram até as ultimas cabanas d’aquelle vasto paiz, para certificar-se da boa qualidade da semente, que foi distribuída no reino visinho aos principaes creadores de Hespanha. A Valencia e á sua província corresponderam umas 16 onças, que se venderam pelo preço que costumam na China. (Da Discussão de 15 d’abril)

China · Espanha Exterior / internacional · Interpretacção incerta
Edição 3 1860-04-17

Milagre!

No noticiário do primeiro numero d’este jornal dissemos, que por causa da chuva não pôde este anno sahir a procissão de Ramos, e omitimos um caso que então se deu na igreja do Carmo. Foi o seguinte: É costume sahir da igreja do convento das Religiosas da Esperança a imagem do Senhor da canna verde para a igreja do Carmo, d’onde sah(e) a procissão. As solicitas Religiosas mandaram este anno avivar as chagas da dita imagem, por se acharem um pouco desbotadas; como porém todo esse dia chovesse, aconteceu que a tinta não pôde seccar, antes pelo contrario, pela continua humidade começou a correr pelo corpo da imagem. O povo que vê isto começa de bradar—Milagre! Milagre! Corre esta voz pela cidade de maneira que quasi todos os habitantes correm á igreja do Carmo. A imagem estava já no altar, e sobre ella a tinta continuava a escorrer. O povo já dizia que era sangue; e viam-se alguns devotos com lenços a recolher o tal sangue. Havia quem chorasse, outros que não acreditavam. O caso tomou tamanha proporção, que no meio de tanta gente, e de tão acalorada discussão, se chegou a temer que houvesse desordem. Um devoto, mais ardente, e que vinha de longe, queria já que se chamasse o sr. Bispo, para ir reconhecer o milagre; outros porém abriam os olhos, a tratal-os de casquinhas e incredulos; e já queriam que S. Ex.ª o Sr. Bispo fosse á igreja para aparar o sangue milagroso. Talvez ainda hoje alguém acredite n’este pretendido milagre.

Igreja · Interpretacção incerta
Edição 3 1860-04-17

Nova Associação

Os artistas bracharenses, seguindo o nobre exemplo dos seus irmãos de trabalho de Lisboa e outras terras do reino, conseguiram realisar o que ha tempos era já seu louvável intento—fundar uma associação a que deram o nome de—associação de socorros mutuos dos artistas de Braga.

Braga · Lisboa · Portugal
Edição 3 1860-04-17

Entrada

Entraram nas cadeias de Lisboa o anno passado 254 homens e 82 mulheres; total 336 pessoas.

Lisboa · Portugal
Edição 3 1860-04-17

Julgamentos

Foram julgados no anno passado 366 individuos, dos quaes 236 homens e 27 mulheres foram absolvidos, e 82 homens e 21 mulheres condemnados; total 366.

Geral
Edição 3 1860-04-17

Queria, mas não pôde

Na qrinta feira passada, 12 do corrente, um recruta, que tinha sido remettido pelo Administrador do Concelho de Serpa para ser inspecionado pela Junta, tendo sido declarado apto para o serviço militar, logo á sahida do Governo Civil entendeu, que era occasião favoravel para escapulir-se.

Serpa · Portugal Governo Civil
Edição 3 1860-04-17

Officinas do Limoeiro

Importaram os obsequios (?), que o charlatão do Limoeiro exigia para curar os doentes, 100:000 réis.

Edição 3 1860-04-17

A roza benta

Parece que a roza, que quasi todos os annos se benze em Roma, e de que muitos sacerdotes se munem para benzêrem os seus fieis na Occasião de alguma epidemia, foi inventada por um padre, que querendo enriquecer, fabricou uma, e a meteu no Vaticano, e depois fingindo que a tinha achado, começou a benzê-la e a vender as folhas.

Roma · Itália Exterior / internacional · Interpretacção incerta
Edição 4 1860-04-24

Ferimento

No domingo, 15 do corrente, ao anoitecer, foi ferido, com uma facada no ventre, um soldado do batalhão de caçadores 8, estacionado n’esta cidade. O ferimento foi gravíssimo, e o infeliz succumbiu ás consequências d’elle na tarde do dia 20, apesar dos incessantes cuidados, ministrados pelo habil facultativo do corpo, o sr. Ribeiro. Este acontecimento desastroso veio encher de consternação toda uma cidade, que está costumada a ver reinar dentro de seus muros a mais perfeita tranquilidade. O povo de Beja tem conservado, sempre, as mais admiráveis relações, com as differentes forças militares, que aqui tem vindo estacionar-se, e esperamos que este facto de modo algum as virá alterar. Os resultados de uma pendencia, passada entre dois indivíduos não podem nunca reflectir-se sobre as classes a que elles pertencem. O soldado é filho do povo: se o brioso batalhão de caçadores 8 chora hoje a morte de um seu camarada, o povo de Beja lamenta a morte de um seu irmão. Factos d’esta ordem compungem todos, mas não ferem a dignidade de ninguém; a offendida n’este caso é a lei, e a iniciativa da desafronta incumbe á auctoridade e só a ella. As auctoridades administrativas tornam-se credoras dos nossos mais subidos louvores pela actividade e zelo com que tem diligenciado a captura dos criminosos. O sr. Neves, que exerce hoje as funcções de Governador Civil, e o sr. José de Moraes, administrador do concelho interino, em consequência do mau estado de saude do sr. Castro, conseguiram a prisão de dois indivíduos, que se suppõe serem os principaes autores do crime. Entendemos que n’este empenho das auctoridades, e no facto da captura está posta a mais airosa satisfação que pela parte que houvesse de julgar-se offendida.

Beja · Portugal Governo Civil
Edição 4 1860-04-24

Cão heroico

No brigue portuguez Alerta chegado no dia 11 ao Porto da sua viagem de Havre a Figueirace veio um cão que goza das honras de comer na mesma bandeija que os marinheiros. Eis o motivo. Ainda o navio estava ancorado no porto francez quando cahiu ao rio um marinheiro. Era grande o perigo que o desventurado corria porque a queda atordoara-o e era-lhe impossível o nadar. Eis que de repente um cão que se achava na praça salta ao rio e filia o marinheiro pela gola da jaqueta. Os outros marinheiros secundam o cão nos seus esforços e dentro em poucos minutos o homem está salvo. Os marinheiros para darem uma prova de estima ao cão que acabava de salvar uma vida, decidiram unanimemente que o cão fosse recolhido a bordo e que comeria á mesma mesa que elles. Eis como estes rudes homens remuneraram o heroico cão. (Opinião)

Porto · Portugal
Edição 4 1860-04-24

Pedimos desculpa

Por falta de tempo não damos publicidade hoje a uma poesia, que o sr. Antonio José Pereira fez favor de remetter-nos, bem como a uma carta do sr. J. S. Fonseca Junior, que a acompanha, o que faremos no seguinte numero.

Correspondência
Edição 4 1860-04-24

Nova via ferrea

Acha-se concluído o novo ramal de via férrea, que vai das Vendas Novas a Setúbal. Domingo 15 teve lugar sobre aquella linha uma viagem de experiencia, que deu em resultado o conhecer-se que a via satisfez a todas as condições de segurança e de commodidade. Compunham a comitiva S.S. Ex.ª os ministros do Reino e obras publicas, muitos dignos Pares, Engenheiros, jornalistas, vários funccionarios públicos etc. etc.

Setúbal · Vendas Novas · Portugal
Edição 4 1860-04-24

Cholera morbus

Asseveram differentes jornaes que Tetuan foi invadido pela cholera, que já tem feito n’aquelles sitios bastantes estragos. Depois dos flagellos, trazidos pela guerra, a presença d’uma epidemia tão devastadora deve ter produzido n’aquellas regiões a mais desoladora consternação.

Edição 4 1860-04-24

Será verdade!

Tem-se espalhado n’estes últimos dias a noticia de que uma esquadra Ingleza composta de 18 náus, sahirá da Plymouth em direcção ao porto de Lisboa. Este boato faz parte da ordem do dia da capital, e dá campo a vários e diversos commentarios.

Lisboa · Porto · Portugal
Edição 4 1860-04-24

Nova cidade

A Villa de Setúbal foi elevada á cathegoria de cidade, por decreto de 19 do corrente. Felicitamos os setubalenses pela honrosa graça que acaba de lhes ser concedida, e que tanto abrilhanta a formosa e importante terra que habitam.

Setúbal · Portugal