EXTERIOR Guerra Manifestações em Paris, noticias diversas, armamentos Os periódicos recebidos hontem de Paris, affirmam que o imperador partio effectivamente para a fronteira, e que haviam entrado no Luxemburgo as tropas francezas. O sr. Benedetti, embaixador em Berlim, chegou a Paris no sabbado de manhã, e na tarde do mesmo dia saio o sr. Werther de carroagem, e partiu ás 4 horas. As manifestações repetiam-se. As tropas quando passava o imperador recebiam-no com acclamações gritando: abaixo a Prússia e viva o imperador. Em Paris espalhou-se o boato de que o principe Leopoldo saíra de Inglaterra, a bordo de uma esquadra prussiana que estava em Plymouth, e que fora para Hespanha. A Inglaterra propor um congresso á França, porem o ministério respondeu, que em vista da exaltação levantada pela questão prussiana, se via obrigado a não acceitar a intervenção amigavel da Inglaterra, agradecendo-lh’a comtudo. Na passagem da Opera reuniram-se mais de trezentas pessoas, e cantando os Giroudinos, dirigiram-se para a rua de la Paix, onde o numero se elevou a 2:000; d’ahi seguiram para a praça Vendòme e pararam em volta da columna, agitando os chapeis e gritando: viva Austerlitz! viva Napoleão! viva a França! viva a guerra! Quando passaram pelo ministério da justiça houve um grito unanime: abaixo Olivier! abaixo Olivier! Tomaram depois pela rua Rivoli, entoando a Marselheza. Chegaram ao quartel do Louvre; ahi arranjaram duas bandeiras; passaram por diversas ruas e boulevards; e quando iam defronte do Hotel-Dieu, tomaram a testada columna uns vinte homens dizendo á multidão que era preciso guardar silencio, por causa dos doentes. Toda a gente se calou então. Seguiram para o quartel Napoleão, rua Rivoli, rua Saint Antoine, e chegaram á praça da Bastilha. Ahi appareceu um homem dirigindo-se ao que trazia a bandeira, e disse-lhe: em frente d’esta columna não se deve agitar senão a bandeira vermelha. A resposta foi um grito de: viva a revolução! e voltaram para o boulevard Beaumarchais. Na rua Taitbout houve um desgraçado incidente que ia perturbando aquella manifestação toda patriótica, foi uma desordem entre o que trazia a bandeira e outro que lh’a queria tirar. Passando pelas Tulherias queriam entrar no palacio, mas a grade fechou-se, e dirigiram-se para a praça do Carroussel. Então houve um grito unanime: A' embaixada da Prússia! Chegando ahi desencadeou-se a cólera do povo, quizeram arrombar as portas e gritaram: murra Bismark! abaixo a Prússia! Appareceram então alguns policias e um sujeito idoso, condecorado com a legião de honra, o qual avançou dizendo: «Não queiram arrombar esta porta. Ao Rheno, meus filhos. É que devem ir.» E agitou o chapéo, gritando: —Ao Rheno! Este grito foi repetido por milhares de vozes, e accrescentaram: Vamos a Saint-Cloud. Chegaram defrente do corpo legislativo, e entoaram, em magnifico unisono, os primeiros versos da Marselheza. Afinal poucos seguiram para Saint-Cloud e dispersou-se uma grande parte do povo que fez aquella imponente manifestação. Affirma-se que Prussia tem já collocadas nas margens do Rheno 350:000 homens com todo o material de guerra correspondente. Segundo os periódicos belgas e allemães, a Prússia póde pôr em pé de guerra dentro em poucos dias, um exercito de 895:000 homens. A Prússia tem 1.450:000 espingardas de agulha, e 2:000 canhões do systema Krup. A sua cavallaria conta 150:000 cavallos. Parece que a marinha de guerra franceza se dividirá em tres grandes esquadras. A Prússia tem já occupados todos os pontos estratégicos da fronteira rhenana. Além do corpo de exercito que a França já tem nas fronteiras allemã e belga, e do que se espera dentro em pouco formado com as tropas de Argel, ha mais oito compostos da maneira seguinte: Primeiro corpo: guarda imperial... Estes nove corpos do exercito com que a França intenta começar a campanha, formam as tres quartas partes das tropas disponíveis do exercito francez e apresentarão ante os prussianos 300:000 combatentes. A França foi invadida por uma força do exercito belga... Os srs. Disraeli e Horsman pediram explicações... Diz-se que a rainha Victoria mandou um despacho pessoal... Está-se imprimindo em França grande numero de exemplares de uma proclamação... O general Thiers deu parte a algumas pessoas do seu plano de campanha... Em Brest, França, acham-se em estado de poderem tomar o mar nalgumas horas os vasos de helice Ville-de-Bordeaux e Ville-de-Lyon; os transportes de helice Aube, Finistére, Renommée, Sadne e Yonne; o navio-officina Adour; Minerte corveta de bateria; Cosmao e Laplace, corvetas de helice; Implacable e Opindtre baterias fluctuantes. No mesmo porto estão promptos para tomar o mar: Ocean... A esquadra prussiana... As ultimas noticias disseram que os principaes commandos vão ser entregues aos generaes Mac-Mahon, Canrobert, Failly... Mac-Mahon... Canrobert... Failly... sendo antes nomeado seu ajudante de campo.
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