EXTERIOR
Guerra—Nota enviada pelo governo francez aos seus agentes diplomáticos—Discurso do rei da Prússia—As espingardas de agulha e chassepot—Os generaes francezes—Os generaes prussianos.—Proclamação de Napoleão III. Os generaes francezes (Continuada do numero antecedente) Baraguay d’Hillirs, é marechal e vicepresidente de senado. Nasceu em Paris aos 6 de setembro do 1795 e é filho de um general do mesmo appellido que em outro tempo merecera as boas graças de Napoleão I. Jurara bandeiras quando contava onze annos apenas; em 1812, sendo já alferes, entrou na batalha de Leipzik e alli perdeu a mão esquerda. Seguindo desde essa epoca os postos até o grau de coronel, em 1830 foi para a África, onde servio por algum tempo, até que em 1832 foi nomeado segundo commandante da escola de Saint-Cyr, e em 1836 commandante em chefe da mesma escola. Em 1840 voltou á África, onde esteve mais quatro annos, entrando em varias expedições contra os arabes. Sendo infeliz em um recontro foi passado á disponibilidade, em que o governo o conservou até que lhe confiou outra commissão de serviço activo. Durante as campanhas da Rússia e da Italia distinguiu-se tanto que na primeira tomou a fortaleza de Bomarsund, que lhe valeu o bastão de marechal da França, e na segunda teve a singular honra, para um militar, de ser commandante do corpo de exercito que entrou em Solferino. O marechal Baraguay d’Hilliers, apesar de em 1848 prestar serviços importantes ao governo provisorio, depois de 1852 soube defender o golpe de estado e ganhar a inteira confiança de Napoleão III. Nas assembléas legislativas para onde o levaram os eleitores de Doubs, mostrou sempre inclinação ás ideas retrogradas, que firmou em Roma, quando alli substituiu o general Hautpoul, apresentando-se ostensivamente a favor da authoridade papal. O marechal Baraguay, foi nomeado senador em 1854, e quatro annos antes merecera a gran-cruz da legião de honra. Segundo noticiam as folhas de Paris, antes de partir para a fronteira rhenana, o imperador confiou-lhe o commando do exercito de Paris. N’este ponto, como é facil avaliar, o governo imperial carece de ter um general em quem deposite illimitada confiança. Bazaine, general; gran cruz de Legião de honra. Nasceu nos 13 de fevereiro de 1811, e pertence a uma família mui distincta. Encetou a sua carreira militar em África, onde aos 22 annos tinha ganho o posto de tenente, e o primeiro grau de Legião de honra em uma batalha. Em 1837 veiu á Hespanha na legião estrangeira, onde serviu dois annos, perseguindo os carlistas até a destruição dos mais numerosos bandos que infestavam o reino visinho. Voltando á África em 1839, alli então se conservou alguns annos, entrando em muitos dos feitos militares que povoam as paginas da historia da conquista de Algel, e são mui gloriosas para as armas francezes. Na guerra do Criméa commandou os regimentos estrangeiros, e no cerco de Sebastopol mereceu os elogios dos commandantes em chefe por sua bravura e pela organisação dada á brigada que lhe fôra confiada. Na expedição do México, deram-lhe o commando da primeira divisão de infanteria, mas pela retirada do general Forei, ficou com o commando em chefe da expedição, conseguindo derrotar Juarez até ás fronteiras d’aquelle paiz. Por estes serviços, o governo elevou-o á cathegoria de marechal de França. Na actual campanha contra a Prússia deve estar reservada para o marechal Bazaine uma importante commissão. Trossard, general. Nasceu em 1807. Foi discípulo da escola polytechnica e tem o curso de engenharia militar. Sendo capitão em 1833 e tenente coronel em 1849 fez n’esta epoca parte da expedição do Roma, e alli o encarregaram do cérco da cidade eterna. Voltando d’esta expedição foi nomeado segundo commandante da escola polytechnica. Quasi sempre tem estado empregado em serviço da sua especialidade. Tendo chegado ao posto de general de divisão em 1859, fez parte dos exercitos que foram á Italia, e em virtude d’isso lhe deram o gran de grão-official da Legião de honra. Pelo que dizem os jornaes, o governo do imperador, na actual campanha, já lhe destinou o commando de um corpo dos exercitos que avançam para o Rheno.