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Mataram a procissão de enterro do Senhor, diziam algumas boas almas na noite de Sexta feira, supprimiram-lhe os prophetas ha annos e n’este os centurios. Está tudo perdido. Já isto não faz terôr. Ora querem saber o que eram os taes prophetas e centurios cuja falta é tão sentida? Eram uns figurões que precediam o esquife e vestidos deste modo: Os prophetas de carapuço, em forma de cartuxo, feito de um tecido de seda roxa e fio de ouro, capa de setim azul claro com apanhados, casaco a Luiz XIII de velludo preto enfeitado de galão de ouro, calção, golpeado, da mesma fazenda do casaco e como elle enfeitado, meia branca e colete preto asivado de ouro. Aos prophetas não se lhes via senão os olhos porque uma enorme barba de estopa lhes occultava o rosto. A barba dava-lhes ao peito. Eram seis os prophetas; tres levavam os tributos, tres as navetas; precediam com a discemins, o esquife e executavam uns certos passos de dança durante o transito da procissão. Os centurios vestiam alba, tinham por enfeite na cabeça uma corna de cortiça de esparto e iam descalços, de braços crusados e cabeça curvada. O seu numero não era fixo. Mas porque se chamam centurios a estes figurões? Hic opus hic labor est. Provavelmente porque foi a determinação que primeiro lembrou. Em todo o caso centurios e prophetas na procissão de enterro nada significavam e se mettiam terôr a muita gente provocavam a gargalhada a muita mais. Esta é que é a verdade e por isso banindo-os muito bem andou a irmandade.