Proclamação do governo de Versailles aos parisienses—«A França livremente consultada elegeu um governo que é o unico legal e o unico que pode exigir a obediência, se a palavra governo não é uma palavra vã. O governo concede-vos as mesmas franquias municipaes que concedeu a Lyon e a Marseille. Não podeis portanto pedir direitos mais amplos. A minoria que vos opprime pretende impor á França as suas violencias, ataca a propriedade, prende os cidadãos, suspende o trabalho, detem a prosperidade, atraza a evacuação dos allemães do territorio, e expõe-vos a novos ataques da parte d’aquelles que se declaram dispostos a suffocar a insurreição sem considerações, se nós não soubermos dominal-a. Offerecemos perdoar a vida aos que depuzerem as armas; continuaremos a soccorrer os operarios necessitados; mas é preciso que a insurreição termine, pois não póde prolongar-se sem que a França pereça. O governo teria desejado que vós mesmos vos tivésseis libertado dos vossos tyrannos; visto que não podeis fazel-o, é preciso que elle se encarregue d’isso. Até agora tem-se limitado a ataques contra as obras exteriores. Chegou o momento de abreviar o vosso supplicio, e deve atacar-se o recinto. Não se bombardeará Paris. O governo limitar-se-ha a forçar uma das portas, e a reduzir a um unico ponto os estragos d’esta guerra, da qual não é responsável. O governo sabe, e comprehendeu-o antes que lh’o indicasseis, que assim que os soldados entrarem o recinto, vos unireis á bandeira nacional. De vós depende prevenir os desastres do assalto, pois que sois cem vezes mais numerosos que os partidarios da communa. Reuní-vos portanto, abri todas as portas, e cessará o carnicio, serão restabelecidos o socego e a ordem, voltará a paz e a abundancia, os allemães evacuarão o territorio, e desapparecerão os vossos males. Parisienses, pensae-o bem. Seguramente, dentro de poucos dias estaremos em Paris. A França quer pôr termo á guerra civil; quer, e deve, e pôde fazel-o. Trabalha para vos libertar. Vós podeis contribuir para o vosso salvamento, tornando inutil o assalto, e occupando desde hoje o vosso posto no meio dos vossos concidadãos e irmãos.»
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