A demolição da columna Vendome
A columna Vendome será demolida no dia 8 de maio. Eis o que a respeito d’este acontecimento escreve Felix Pyat, no Vengeur: «O dia 5 de maio era o que convinha para a columna Vendome ser executada. Mas o algoz d’essa “gloria” não estava prompto e pedio algumas 24 horas mais para que a sua execução seja perfeita. Era importante que a destruição fosse quasi repentina. A columna cahirá d’uma vez, e para que não haja choque, para que as casas não se desmoronem com esse terror de terra, para que os canos de despejo, os subterraneos, os tubos de gaz e agua não sejam esmagados ou rotos, falla-se em certas precauções e medidas que serão tomadas para aligeirar o estremecimento e prevenir os accidentes. Falla-se em uma camada de 10 metros do estrume para suavizar a queda. Que bom leito para o Cesar! Ficará bem no logar que lhe compete, deitado sobre palha podre, como o biltre de seu sobrinho. Falla-se n’um processo engenhoso inventado pelo machinista para desraizar esse monumento de vergonha, nullo no ponto de vista artistico, mas admiravel no tocante a solidez. Mas esse invento é ainda um segredo... Quem viver verá e poderá vel-o, sem perigo no dia 8 de maio. O Archimedes responde pela segurança. Seria portanto bem natural que o bronze fosse fatal a algum ao cahir... como o foi a tanta gente quando se elevou. Quantas vidas humanas elle custou, contou-o o historiador nacional em 20 volumes, que se deviam queimar aos pés da columna. Os batalhões da guarda nacional, e os membros da communa, dizem que assistirão a esta obra de justiça internacional; e apesar de toda a sua solidez, essa columna inclinar-se-ha perante o voto da communa e a força popular. Edificado sobre um montão de cadaveres, esse monumento está assente sobretudo quanto ha de mais balofo e friavel n’este mundo, moleculas de carne e pó de ossadas humanas. O dia 8 de maio será memoravel na historia da revolução. A legenda imperial apagar-se-ha, e ao mesmo tempo desapparecerão todas as estatuas, emblemas, nomes de ruas, todos os vestigios do regimen monarchico, nas suas tres fórmas: bonapartista, orleanista e legitimista.»