Roubo
O nosso amigo o sr. José Francisco Coelho, foi para banhos e deixou em casa um creado por nome Alberto. No domingo ás 8 horas da noite o almocreve do sr. Coelho, dirigindo-se á cavallariça, encontrou o Alberto na dispensa aviando o alforge de toucinho e linguiça, tendo tambem o cuidado de metter n’elle duas pistollas; desconfiando que o rapaz estava roubando pediu a dois individuos que se collocassem á porta da cavallariça e não o deixassem sair, emquanto elle ia chamar dois soldados á guarda da praça. Voltando com os soldados e entrando em casa onde julgava encontrar ainda o creado, reconheceram que este se havia evadido pela porta que diz para a rua de Alcobaça. Comparecendo o regedor e outras pessoas verificaram que todas as portas se achavam abertas bem como caixões, bahus, gavetas, etc. Em seguida compareceu o sr. administrador do concelho com o seu escrivão, e tomou as providencias exigidas em lei. O sr. Coelho veio a Beja na terça feira e declarou que lhe faltavam uns brincos de ouro com brilhantes, e que emquanto a roupa não podia conhecer a que lhe faltava, o só a sua senhora o pudera dizer.