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Beja · Portugal

O Bacharel Firmino de Sequeira Teixeira Manso já não existe! As cadeiras da magistratura estarão a esta hora cobertas de crepe! O foro portuguez acaba de perder uma das suas maiores intelligencias, um dos seus melhores ornamentos; o paiz um cidadão prestável e virtuoso; a sociedade um homem de verdadeira honra e probidade; os pobres um incansável protector; e nós... um conselheiro e amigo. Debaixo da sua extrema modéstia reluzia uma vasta erudição, e de envolta com as suas maneiras delicadas apparecia a mais significativa respeitabilidade. Saindo, ainda joven, dos bancos da universidade, seguio a carreira da magistratura, onde servio muitos lugares, que desempenhou com dignidade. A sete annos que estava nesta cidade, como Delegado do Procurador Regio, lugar que deixou de occupar por ter sido nomeado Juiz de Direito para a Comarca do Sabugal, cargo de que não chegou a tomar posse. Durante o tempo que nesta cidade exerceu as funcções do seu emprego, só deu provas de ser um perfeito mantenedor dos principios da recta justiça. Elle dizia, como Jesus-Christo: «será mais facil passar um camello pelo fundo d’uma agulha, do que perder-se um til da lei.» Deixou uma extremosa esposa e duas filhas, aliás ricas, entregues á mais pungente dôr pela sua irreparável perda. E já que a distancia nos impede de ir derramar uma lagrima sobre a campa, que ora o cobre, consagramos-lhe esta mal tecida corôa de saudades, se não para pagar, ao menos para darmos um publico testemunho de gratidão á memória d’um homem a quem todo este districto muito devia. Beja 2 de janeiro de 1863.