Barrancos 21 de abril de 1872
Sr. redactor.—Este povo soffre muito com a fiscalização da alfandega aqui, pela sua situação geographica; pois os povos com que tem mais relações são os de Hespanha, que se acham muito a pouca distancia, onde vão buscar os viveres necessários para passar o resto do anno. Hoje, mais que nunca, está o povo n’um estado misérrimo sem poder mover-se: o serviço dos empregados é tão activo que julgo haver excesso! O sr. Brito, encarregado d’esta secção fiscal não deve ser tão rigoroso na fiscalização dos generos alimentícios, muito embora o seja na do tabaco contrabando, que tem feito aqui desapparecer sem grande rigor. Neste ultimo caso merece ser louvado, mas no primeiro não, permitta-me. Também ouvi aos empregados internos que tem havido uma grande differença a mais na passagem das guias. Se este povo pedisse ao governo a entrada livre dos generos de primeira necessidade, estou certo que lh’a concedia, apresentando-lhe as provas com o mappa geographico da Europa. Nada mais por hoje. Tenho a honra d’assignar-me. De v. etc. Anonymo.