Malhar em ferro frio
Ha uma casa nesta cidade a que se chama pescadaria e n’ella dois empregados senhores de barafo e cutello que teem mais importância em dias de peixe fresco que qualquer Regedor de Parochia em tempo de eleições. Aquelles empregados vão por occasião de festas a casa das pessoas de sua amisade receber [ilegível] as suas festas: quem dá alguma cousa, póde ter a certeza que é servido com prejuizo dos almocreves, e quem não der póde contar que está meio dia na pescadaria e por fim vae para casa sem levar peixe! Isto é, o pobre que pretende comprar um ou meio arratel de peixe, não se lhe vende por que ha o rico que compra maior porção, e dá festas aos [ilegível] empregados. Já por mais d’uma vez esta distincção tem causado altercações, de que se tem passado a vias de facto. O pobre tambem paga para se sustentar, e tem por tanto direito a ser servido quando lhe pertencer. Recommendamos isto a quem competir.