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Artigo
Justiça e ordem públicaDenúncias e queixasPrisões
Interpretacção incerta

Suicídio.=Ha dias andando uns pequenitos a pescar na margem esquerda do Tejo, quasi defronte da Ribeira de Santarem, viram espetada na area uma canna em que estava pendurada uma jaqueta, um chapéu e um lenço que tinha preso com um alfinete um bocado de papel em que se lia o seguinte: «Mato-me, porque fui enganado por minha mulher... não conheci a miseria. José Simões.» Os pequenos deram parte do caso a seu pai, que é um lavrador, e este deu ao facto a possível publicidade. No lodo havia pégadas que denunciavam que o infeliz Soares, atirara comsigo ao Tejo. Não consta que por ora apparecesse o cadaver do desgraçado. Suppõe-se que José Soares era um fazendeiro das visinhanças. O laconismo fatal da sua revelação denuncia a existência de um romance complicado, e diz-nos que José Soares era um homem de bons sentimentos, que succumbio a uma vergonha que tantos outros soffrem pacientemente.