Filho perdido
Em casa de um homem da freguezia de Momique estava a servir um rapazinho que desappareceu ha mais de um mez e que o pai tem buscado debalde por toda a parte. É de Garvão, tem doze annos, rosto redondo, cabello castanho, com uma malha preta na cabeça e uns signaes vermelhos no rosto, tarda-lhe um pouco a falla; chama-se José. Se alguém desse noticia d’este, praticava uma acção virtuosa dando parte a esta redacção que o faria constar immediatamente ao pae. O amo não deu nenhuns esclarecimentos e chamado á presença da authoridade pedio um praso, do qual se approveitou para acabar de vender o que tinha e fugir, disse que para Sines, com uma amiga. É’ esta circunstancia que faz que tal procedimento não prove crime, visto que vivendo elle mal com a mulher bem podia vender o que tinha e fugir só para viver mais desembaraçadamente com a amiga. Isto é o que o pobre pae nos conta, mas se a administração ou a justiça d’aquella localidade nos quizesse informar, merecia a pena, porque uma vida é sempre preciosa e um filho seja de quem for é sempre querido e custa muito a criar.