Parece mentira!—Saberá o amavel leitor que o sr. Romão tem um cavallo com privilegio de gato!! — Que carapetão! um cavallo-galo ha de ter que ter! Pois bem, escute, lá vai a historia: Estava, ha dias, a sr.ª Maria das Dores, com a cabeça recostada á mão muito descançadinho, e o sr. José Barnardo, com aquelle sorriso angelico, limpava os dedos gordurentos a uma rodilha de pano cru. — Credo! anjo bento! tremor de terra! mi.. mi.. misericórdia! grilou a sr.ª Maria das Dores pallida como um cadaver, desvairada, com os cabellos erriçados, os olhos chamejantes, a boca aberta!.. — Acudam! acudam! gritava o sr. J. Bernardo, que pegando em seguida n’um pão de castanho, cospe nas mãos, cheira uma pilada, lambe os dedos, assoa-se, escarra, dá uma pancada na testa, e eil-o ahi vai a correr pelas casas fora!.. Chega ao quarto, vê um animalejnho deitado como se estivesse em sua casa! poz a tranca no chão, e.... fugiu! — Mas o que foi causa de tanto alarme? — O que foi? foi o cavallo do sr. Romão que entrou pelo telhado!! Muito rimos! As pessoas mais illustradas de Ferreira, como caixeiros, bacharéis, estudantes, litteratos, logistas, poetas, professores, escrivães, empregados, e desempregados, padrecas, sachristães, etc. etc. etc. aconselharam ao dono do cavallo, que lhe mandasse fazer umas fitas de papelão, a ver se temos cá na terra um novo pegaso. Parece que os deputados da maioria vão brevemente tratar desta matéria! Kytograma.
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