Tem este anno sido fertilissimo em acontecimentos desastrosos. Ainda hontem registravamos o triste successo do serralheiro Proença, e já hoje nos chega a noticia de um sinistro analogo. Mr. João Pijonet, empreiteiro constructor das minas de Aljustrel, foi horrivelmente mutilado no braço direito pela explosão d’um cartuxo de dynamite, que ia lançar sobre um pego, junto á Figueirinha. Parece que mr. Pijonet calculou mal o comprimento da mecha, de modo que, querendo passar o cartucho da mão esquerda para a direita, a explosão teve logar, e a mão direita voou-lhe pelos ares ficando-lhe esmigalhados os ossos do braço. O infeliz foi conduzido ao hospital civil d’esta cidade, aonde lhe foi feita a amputação do braço pelo sr. dr. Ganso d’Almeida. A operação correu o melhor possivel. O sr. Pijonet foi chloroformisado pelo sr. dr. Menezes, e tão habilmente o foi que, ao acordar do lethargo em que foi posto, disse que não sentira nem a mais ligeira dôr. O doente quasi que não perdeu sangue durante a operação. Foi encarregado da compressão da arteria o sr. Sant’Anna, que nestas occasiões presta sempre valiosos serviços com a sua longa pratica do hospital, sendo um dignissimo e prestante empregado.
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