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Beja · Beringel · Portugal Correspondência · Hospital · Igreja

Beringel 30 de novembro de 1875. O parocho de Beringel apoquenta o pobre viuva de Januario para que lhe pague dois alqueires de trigo e duas canadas de vinho, etc., pelo enterro de um ido que morreu no hospital de Beja soccorrido e sepultado pela misericordia, alem de sua extrema pobreza. O parocho para violentar ainda mais a pobre viuva a pagar-lhe o que lhe não deve, mandou-lhe lembrar, por José Antonio Casaca, que o seu filho Fernando Esteves seria em pouco tempo chamado para o sorteamento militar. O sr. Joaquim José, de Beringel, não é homem que fique satisfeito só com tres missas em dias de finado; e assim lembrou, em bons termos, ao parocho que o povo desejava ouvir tres missas por ser este o costume. Por este facto foi o sr. Joaquim José provocado pelo parocho ao sahir da missa, trocando-se entre ele e aquelle palavras, que o parocho entendeu injuriosas para si; e com testemunhas bem escolhidas fez o sr. padre Miguel ir ao banco dos réos o seu parochiano Joaquim José que foi condemnado em trinta dias de cadeia. O que o sr. padre Miguel não logrou é reduzir a fome, durante trinta dias, á familia do seu parochiano Joaquim José que só vive do trabalho deste. O que o sr. padre não logra é levar pela violencia o povo de Beringel. São dois os parochianos que o sr. padre Miguel tem feito entrar na cadeia, acompanhando sempre as testemunhas, e obtidas pelos meios que todos sabem!... O escandalo não póde progredir.