Voltar ao arquivo
Artigo

Nomeação

Saúde e higiene públicaEpidemiasMédicos e cirurgiões
Beja · Coimbra · Lisboa · Portugal

Em resposta á noticia que transcrevemos da Gazeta de Portugal sobre a nomeação do sr. dr. J. M. Ganso d’Almeida para delegado de saude n’este districto, publicou o Progressista o seguinte: «A verdade tal qual é.—Noticiando a Gazeta de Portugal o provimento do logar de delegado do conselho de saude em Beja, fál-o por um modo tal, que julgamos não dever deixar passar em silencio a menos exactidão, que ali se nota; devida, por certo, ás falsas informações, que a citada folha a tal respeito recebeu. Querem a verdade em toda a sua pureza? Ahi vae: O sr. dr. Ganso d’Almeida é um dos nossos bacharéis formados em medicina a quem a universidade de Coimbra conferiu as mais honrosas distincções. Sua s.ª foi um estudante premiado, e laureado em quasi todos os annos do curso medico. As suas informações são distinctissimas, e o seu nome ainda hoje é lembrado na faculdade de medicina da universidade, com a consideração que o seu merito elevado ali adquiriu. Se a Gazeta quizer verificar o que escrevemos, creio que lhe não será isso difficil: o nome do sr. Ganso d’Almeida é bastante conhecido em Lisboa. Mas ás habilitações scientificas do medico a que nos referimos, juntaram-se os serviços relevantes prestados por este facultativo ao districto de Beja quando foi invadido pela cholera em 1836. Foram esses serviços de tal ordem que o conselho de saude propôz ao sr. Ganso para ser condecorado com o habito de Torre Espada. Se foi necessário, provaremos com documentos o que acabamos de escrever. A estas circumstancias, acresceu uma outra, que a Gazeta assevera ser o motivo da preferencia dada ao sr. Ganso pelo conselho de saude. É ella o facto de estar o distincto medico servindo gratuitamente, por 3 annos, o logar em que foi provido. Já vê pois o collega que o principio que actuou no animo do conselho de saude para nomear o sr. Ganso seu delegado foi o principio da justiça. Não pretendemos desconsiderar ninguém. Desagradam-n’os, mesmo, questões pessoaes; porém a verdade é para nós o primeiro motor de acção, e restabelecel-a-hemos sempre que a virmos alterada.»