Todos sabem que nas escavações da mina d'Aljustrel se encontrou uma lamina de bronze gravada de ambos os lados. A companhia de Mineração transtagana mandou ir para Lisboa aquella raridade e permittiu a todos que a examinassem. Apressou-se a estudal-a o sr. Soromenho e em um folheto agora publicado, resume as suas investigações e apresenta o resultado dos seus estudos a tal respeito. A lamina tem o numero III, o que indica a existência pelo menos de duas antecedentes e contém parte da lei ou regulamento que devia ser observado intra fines metalli vipascensis. A mina d'Aljustrel estava no territorio da jurisdicção do conventus juridicus Pacensis. A lei foi gravada sobre uma das faces d'essas laminas e depois repetida na outra face, por ter sahido errado o primeiro texto ou por qualquer outro motivo. Uma das faces contém mais linhas do que a outra e a inscripção, parece ao sr. Soromenho, ser do 1.º seculo, de Vespasiano a Domiciano. A lamina é a maior preciosidade d'este genero descoberta em Portugal desde 1659, e proporciona elementos novos a alguns pontos de direito civil e de direito administrativo romano. Desde que foi descoberta a lamina de Aljustrel trataram de estudal-a diversos sabios da Europa. É, porém, o sr. Soromenho o primeiro que pela imprensa revela a existência d'aquelle monumento. No folheto vêm as estampas com os dous lados da lamina, feitas pelo methodo da heliogravura; e a inscripção em duas grandes folhas, obra primorosa da imprensa nacional. O texto foi mandado imprimir em tinta preta; e em tinta encarnada as phrases, palavras e letras destinadas a supprir as lacunas da lamina. Vae ser analisado o trabalho do sr. Soromenho em Paris, Berlim e Londres.
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