Um brado aos Polacos
Ganhareis—independência! Resgatai a patria querida, Que se vê tão opprimida Nos ferros da violência! Ávante! na santa lida, Sem custo perdendo a vida P’la causa da liberdade. Ao mundo parece incrível Que a Europa impassível Não dê fim á crueldade! E vós, imperial Senhor, Que a todos causaes horror Por tanta barbaridade! Se não sois impio ou atheu Erguei os olhos ao Ceu, Pedi graça á Divindade. Mas no vosso coração Não vive a religião Nem sublimes pensamentos; E desprezais os gemidos Dos Polacos opprimidos Soffrendo graves tormentos... Não ouves viuva afflicta Que com languida voz grita; —Perdi o esposo meu!...— E até da fúnebre veste Roubar-lhe o uso quizeste Só podendo orar ao Ceu!... Quando raiará o dia, Que tão cruel tyrannia Faça de todo findar?... Quando a Europa unida, Encetar a nobre lida D’ir a Polonia ajudar. João Maria de Castilho.