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Aljustrel

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Aljustrel · Portugal Governo Civil · Interpretacção incerta

Aljustrel, 28 de maio. Como esperamos pela resposta do sr. Joaquim Pedro, isto é, como esperamos que publique ou faça publicar as contas da Fonte da Romeira, uma vez que apregoa a sua fama com esta obra, passemos a outro assumpto para o qual é escusado chamarmos a attenção do sr. governador civil porque s. ex.ª está a dormir quando lhe fallam no concelho de Aljustrel: s. ex.ª não se quer incommodar e só se lembra deste concelho quando quer votos; então sibi, então é que ha promessas, mas passada a occasião, já se não conhece ninguem. Todos sabem que no anno de 1875 a receita deste concelho foi proximamente de 5:000$000 reis e a despeza foi reis 1:300$000, também aproximadamente; ora, não se fazendo obras como nos annos anteriores, em que é que se gastou 3:700$000 reis? Ninguem o sabe; o que porem toda a gente vê é que o dinheiro entra no cofre; agora o destino que elle leva é que é mysterio! O povo podia dizer como o padre avarento quando deposita no cofre municipal o seu dinheiro, Dominus est in ipso loco, e a camara ou os esbanjadores municipaes — Resurrexit non est hic, e tudo estava acabado; achavamos mais summario o desapparecimento completo; e não illudir-se este pobre povo com actos que trazem a indignação e a infamia estampada no rosto de quem a pratica; não vos parece, baldomeras? Já dissemos que o orçamento é invisivel, e agora mesmo acabamos de saber algumas razões. Toma sentido, povo, e quando haja alguem que vos queira fazer o contrario, dizei-lhe que mente, e que precisando saber em que lei viveis, é preciso que nós accusadores sejamos chamados aos tribunaes para provarmos as nossas accusações; infine desafiai-os, e, no entretanto, ouve. O Joaquim Isidoro, segundo nos consta, tem uma gratificação de umas poucas de moedas; dizem-nos que 114$000 reis como guarda da charneca, ou cousa similhante, e que só apparece nas suas obrigações em certo dia do mez. Que o nosso boticario tem uma gratificação de 70$000 reis. Ora, tu queres trabalhar todos os dias por 1$000 reis; o presidente não quer, porque precisa que o seu carro ganhe 1$200; mas podes pagar excessivas derramas, para se dar a um homem uma gratificação illegal e que lhe é incompatível com o logar de recebedor; pagas para se dar uma gratificação de 70$000 reis contra todas as formas legaes. Tu pagas ainda a um facultativo que vomita ao ver um abcesso, para pagares da tua algibeira a um «virtuoso»! Para que é botica se não temos facultativo? e ainda ha quem nos ameasse com os tribunaes?! ha ainda quem se queira fazer cargo de defesa dos nossos delapidadores municipaes! Não os conhecias? pois vae estudando nestas historias que te devem aproveitar. O nosso concelho é a escoria dos concelhos do paiz; todos ignorantes e maus, taes são os homens que nos dirigem. Porque é que tu, sendo a derrama de 64 por cento, pagas 100, 105, 108 e 109 por cento? para onde vae este excesso? Figura elle no orçamento? não pode figurar, esconde-se, ninguem o vê! Não estamos cansados de escrever, cansamo-nos com tanta miseria e tanto despreso. Pedimos ao ex.mo sr. dr. Ganso que repare pela saude publica deste concelho, que nos limpe deste «virtuoso» que, costumado a curar cabras, cura hoje homens; limpe-nos s. ex.ª deste flagello de virtuosos e obrigue o facultativo do partido a cumprir com o seu dever como subdelegado de saude, uma vez que a camara sustenta um facultativo que vomita. Sobre este ponto conversaremos no n.º proximo com o sr. governador civil, uma vez que s. ex.ª diz que nenhum tem feito mais justiça do que s. ex.ª. Até á semana.