Voltar ao arquivo
Artigo

Beringel—3 de julho de 1877. Sr. redactor

Educacção e instruçãoExércitoJustiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localReligiãoSociedade e vida quotidianaBeneficênciaCulto e cerimóniasDenúncias e queixasExamesLicençasLicençasNomeaçõesNomeações eclesiásticasPobres e esmolasPrisões
Beringel · Portugal Câmara Municipal · Igreja · Interpretacção incerta

Recorro ao luminoso pharol da imprensa para do modo mais publico protestar contra a calumnia levantada pelo parocho d’esta freguezia, que não só me envolve, se não tambem a uma corporação respeitável, qual a muito digna e illustrada camara municipal. Tem o nosso parocho propalado, e feito ver aos mancebos recenseados que lhe pedem attestado para poderem reclamar a isempção do serviço militar, que os requerimentos que eu faço, não são attendidos pela camara municipal. Isto é simplesmente mentira forjada pelo sr. prior que é eximio n’esta arte. Já ha muitos annos que faço requerimentos a mancebos que reclamam a sua isempção do serviço militar, e ainda nenhum requerimento deixou de ser acceite pela camara e seguir o seu destino. Quem não attende os requerimentos que eu faço é o sr. prior, dizendo que não quer attestar, ficando por este modo os mancebos sem poderem reclamar a sua isempção, como se deu com João dos Reis, filho do Sacario José, que ha poucos dias foi chamado ao serviço militar, de que talvez estivesse isemptado podendo reclamar em tempo, o que não fez porque o sr. prior não quiz attestar. O sr. prior sabe bem se os meus requerimentos são attendidos porque ainda não ha muito que o despacho d’um o fez pular como um endemoninhado! Mas como é que fazendo-me o sr. prior toda a guerra que póde, se lembra de mim para o substituir nos exames de doutrina? Com que á vista do sr. prior só sei rezar o credo em cruz! Historiemos.—Pedindo uma noiva para a examinar de doutrina, respondeu-lhe o sr. prior—vá ao sr. Nogueira que a examine.—A noiva é pessoa seria, mas o que não é serio é que um parocho responda zombeteiramente quando se trata das obrigações do seu ministerio. O que não é serio é que o sr. prior trate violenta e desbragadamente os seus parochianos, e que levante contra elles mão armada como ha pouco fez apontando a escopeta ao sr. Luiz Pereira Mendes quando este lhe foi a sua casa pedir licença, para um parocho seu visinho lhe baptisar um filho. Entregue-se o sr. prior ao cumprimento da alta missão que lhe está confiada, e deixe em paz quem só quer governar a vida e o não incommoda. Se o sr. prior não dá cinco reis a ganhar aos pobres, se não soccorre a miseria que lhe é indifferente, trate pelo menos bem os seus parochianos, não os faça processar e metter na cadeia, ou não mande executar os miseráveis que lhe devem 60 e 100 reis de congrua tornando culpados os dignos empregados da administração sobre quem quer fazer recair todo o odioso, sendo o sr. prior o unico culpado. Basta por hoje, fica de remissa a parte mais negra que não teremos duvida em publicar se a tanto o sr. prior nos quizer levar com as suas aggressões. Pela publicação d’estas linhas lhe ficarei sr. redactor summamente obrigado. João Ramos Nogueira.