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Artigo

Um sorriso!—(De Commercio de Lisboa)

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Lisboa · Portugal

Um sorriso nos lábios da mulher que se ama! Oh! goso ineffavel! Prazer immenso! Alegria eterna! Felicidade suprema! Um sorriso! Nardo que perfuma as horas da nossa existencia, luz que nos irradia a nossa fronte, sombra que nos protege, ave do paraíso que nos acolhe debaixo de suas azas! Um sorriso! Nuvem que vaga no ceu, esperança que desabrocha, sentimento que se expande, botão de rosa que se abre, o amor que se annuncia, o paraíso que se amostra! Um sorriso! E ella sorriu-me, bella, engraçada, amorosa e seductora, modesta, como a violeta que se occulta nas folhas verdes, como o rouxinol que se esvoaça no prado, como a rolinha que geme no arvoredo, como um sonho que nos encanta, como um pensamento que nos alegra, como uma idéa que nos alenta! Oh! e como é bello beber a vida no calix de rubim de uns lábios de mulher! Ler n’esse livro encantado, que se forma de duas pétalas de rosa, e cujas letras são perlas de orvalho, a innocencia de sua alma, a intensidade do seu amor, os transportes de sua felicidade!... Um sorriso! Um sorriso é o ceu da nossa ventura, ou o inferno da nossa desgraça! se não projecta luz, espalha sombras; se não eleva, abate; se não dá vida, mata; senão é o Synal, é o Gethsemani! Um sorriso! Eu te abençôo, meu anjo, porque sorriste para mim!