Correspondências
Sr. redactor—Em fins de setembro de 1875, no nosso mercado, o trigo vendia-se por 500 réis o alqueire e a farinha por 850 e 900! E esse desequilibrio, manifestava-se todos os annos que não fossem excepcionalmente ventosos ou chuvosos; d’esta observação resultou organisar-se n’aquella epoca uma sociedade de industriaes, com o fim de restabelecer o equilibrio, fundando aqui uma fabrica a vapôr para moagem. O fim foi alcançado; de então para cá, conseguiram manter o preço da farinha a par do preço do trigo. A nosso ver, esses industriaes bem merecerião das auctoridades administrativas, a protecção legal, pelo bem publico; pois não é sempre assim, por exemplo: O sr. delegado de saude, excessivamente zeloso, profundamente conhecedor das leis da natureza e do dynamismo vital, entendeu dever ser-lhes prohibido recolher agoas da chuva, para uso do seu motôr, que as agoas calcareas deterioram consideravelmente, receiando, sua ex.ª que o deposito d’essas agoas prejudicassem a saude publica occasionando febres intermitentes! Porque prisma, santo nome de Jesus, lobrigaria sua ex.ª esses industriaes, para os julgar capazes de conservar agoas em estado de prejudicar a saude publica?! Seria acaso, através das agoas dos tanques municipaes? Se o olfato de sua ex.ª não estivesse embotado, pelas frequentes exposições do seu nariz á acção dos vapores ammoniacaes, teria-lhe revelado ao passar por defronte do talho, que alli está muito mais gravemente compromettida a saude publica; teria-lhe revelado o estado, em que lá se vende, sem escrupulo a carne, como nos tem vindo, não poucas vezes para casa, e hoje a ultima: em estado de putrefacção! litteralmente sr. redactor. Sou de v. etc. Beja e s. c. 19 de setembro 1877. G. B. E.