José Picco
As noutes de 4, 5, 6, 7 e 8 do corrente foram de gloriosa festa para o inimitavel artista. O publico de Beja admirou-o e soube avalial-o, o que é uma gloria para ti e para elle. Coroas, pombos, bouquets, applausos taes como se devem a um grande genio não faltaram. Nos 5 concertos que Picco deu nesta cidade tocou as peças seguintes: Cavatinas das operas Nabuco, Fiorina, Barbeiro de Sevilha, Norma, Sonambula, Hernani, arias das operas Trovador, Traviata, dueto da opera Maria Padilha, Miserere do Trovador, Cerco de Saragoça, valsa do Fernando e Carnaval de Veneza; todas desempenhadas com perfeição e maestria; mas no Carnaval de Veneza é que elle mostrou toda a extensão e recursos do seu genio musical. Descrever o que Picco faz, dizer as variações de variações que executa, torna-se-nos tão difficil como tocar o instrumento. A concorrência ao theatro para ouvir o inimitavel artista foi grande, e affluio gente não só d’esta cidade mas tambem da Cuba, Serpa, e até de Estremoz. Picco leva gratas recordações dos bejenses, e confessou que é das terras d’onde tem partido com mais saudade. O grande artista segue d’aqui para Evora e de lá para Extremoz, Portalegre, Elvas, e Badajoz.