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Ervidel · Messejana · Portugal Governo Civil

[Messejana] Messejana, 4 de dezembro. É a primeira vez que venho á imprensa e certo de que serão recebidas as minhas opiniões, vou expol-as com a maior simplicidade e clareza a favor do povo de quem sou filho e por quem espero morrer. Realisou-se no dia 25 a eleição camararia d’este concelho e os homens que tanto do coração se interessaram para salvar o povo d’este [ilegível] que o espera tiveram como recompensa ao seu muito trabalho e desejo, a maior ingratidão com esquecimento do povo d’esta villa, que devia ser o primeiro a bradar por liberdade por ser tambem o primeiro que vimos mais ferido pelo desprezo dos homens a favor de quem votou. Não se pouparam os gatunos a infamias, a indecencias; a moralidade e a imparcialidade politica foram por elles desprezadas para dar em scena a gatunagem, roubando-nos os votos a uns e illudindo os outros. Mas porque fizeram elles isto? Porque a boa fé com que contavamos e por não termos mais dois homens como o sr. José Pinheiro da Silva, que sempre tem estado ao lado do povo d’esta villa e que elle conhece desde pequeno, e que sempre tem defendido das represalias dos gatunos, indispondo-se com alguns por causa d’elle, teve a infelicidade de dar com um povo que preferiu o dinheiro á sua causa pura e santa, rendendo-se como bestas de carga, em lugar de darmos com gente honrada e digna e que fosse reconhecida aos serviços que lhe prestam; foi ainda porque se quiz subjugar ao predomínio vil e degradante d’aquelles que tanto o teem castigado na algibeira onde movem os seus interesses materiaes, não lhe fazendo melhoramentos. Por isso nós ouvimos ao sr. José Pinheiro palavras de estima e consideração pelas freguezias de Ervidel e Montes Velhos, que souberam com a sua maioria levantar a baixa popularidade que os escravos contra ellas apregoavam. Temos porem ainda uma esperança, o protesto: é elle de tal fórma, encerra taes criticas, que o sr. governador civil não póde sem commetter um escandalo na sua vida politica deixar de lhe dar provimento. N’elle se vê que o vereador [ilegível]