Chapéus de sol
É mui digno de notar-se o pouco agradecimento que se tem para os que procurão a maior commodidade e vantagem dos homens. Quando Jonas Hanwais, ainda que pessoa muito conhecida e apreciada, appareceu pela 1.ª vez com um chapéu de sol nas ruas de Londres, excitou um sentimento igual ao que inspirava no seu tempo o profeta que tinha o seu mesmo nome. O novo exemplo de cousa tão affeminada se teve por extremo ridiculo, e preferindo Jonas antes ser molestado pelos raios do Sol que pela gritaria com que foi saudado, teve de fechar o seu chapéu de sol e refugiar-se na loja d’um cutelleiro, por cuja porta falsa sahio para outra rua, e chegou a sua caza sem outra novidade. Passou algum tempo sem que se atrevesse outra vez a defender-se em publico contra os raios do Sol; porém julgando-o depois como homem excêntrico, não se fez caso da sua singularidade, e pode tranquilamente andar debaixo de telhado pelas ruas. A final começarão tantos a aproveitar-se da sua idéa que se acostumou a gente á vista dos chapéus de sol. Alguns camponezes paravão para ver e admirar; porém divertião-se com isto, e não tratavão de incommodar seus donos. Dos elegantes de Bond-Street foi estendendo-se a moda a todas as classes, e hoje apenas ha homem que, por pobre que seja, não tenha chapéu de sol, que se tem tornado tão necessário como os çapatos. J.