Aljustrel—19 de dezembro
Temos recebido como da mão de quem vem as correspondências publicadas nos Jornais do povo de 21 de novembro e 12 do corrente; na primeira, entre os disparates que encerra, diz que nos acobardamos de assignar os nossos escriptos, e elle, a cabeça falante, a alma maldita de todas as infamias contra nós feitas e escriptas, commette o mesmo erro! As suas lagrimas de sangue que tantas tem chorado, não lhe deixam ver um palmo adiante do nariz! Coitado! Na segunda correspondência é elle então sublime, elle a cabeça falante, a alma maldita de todos os planos contra nós executados, que chora lagrimas de sangue por nada; que sabe levar até ao seu cubiculo o homem das habilitações, para lhe assignar de cruz os seus escriptos; é o infame mais sublime que conhecemos! O que é para elle o pacto politico? que lhe importa a elle os seus compromissos politicos, os seus precedentes e mesmo a sua dignidade politica, se é que alguma vez sentiu em si esse sentimento? Não sabe mais do que isto: «o meu coração chora lagrimas de sangue»...! Mas póde alguém tomar a serio as suas palavras? Quem foi elle? quem é hoje? Foi o maior inimigo que o sr. governador civil teve n’este concelho; hoje, desprezado por s. ex.ª porque o sr. governador civil não se esconde de dizer aos seus amigos «não devem querer nada com similhantes homens», e adula e curva-se perante a vontade de sua ex.ª! Coitado! Mas póde alguém tomar a serio as palavras de uma cabeça falante quando diz que aos amigos da auctoridade só lhe bastou 10 dias para derrotar a opposição?! Pois quando tu, insecto venenoso, a mais terrível praga que tem cabido sobre esta freguezia, foste a Beja por occasião da feira beijar os pés com os homens que te repudiaram em 1872 e 1873, á influencia do sr. visconde da Boa-Vista, que te deixaram ficar fechado dentro de um quarto, ainda assim não fosse a tua presença compromettel-os, atreves-te a dizer que de 10 de agosto a 25 de novembro vão dez dias?! Parece que estás... ou doido. Coitado! Mas póde alguém acreditar as suas promessas? Pois 15 dias antes da eleição não disse elle a um cavalheiro respeitabilissimo que o tem tratado sempre com a maior deferencia, que lhe tem feito favores para elle fazer a alguns de aqui, a quem o sr. visconde não tem querido ou podido servir, que era toda larica! quem é que te hade acreditar desgraçado? Onde estão os teus juramentos e os tens escriptos de outro tempo? Coitado, estamos com vontade de chorar lagrimas de sangue comtigo; effectivamente tu causas dó e nojo! Chamas-nos detractor de caracteres dignos e honrados. Quem são elles? aponta-os, e se fallares verdade crê que te não desmentimos; mas as nossas accusações deixamo-las ficar porque são a pura verdade. Onde estão os rendimentos do concelho? no cofre? para que é que a camara tem o dinheiro do povo guardado quando elle precisa de melhoramentos? Qual é a camara que prezando a sua dignidade consente que uma freguezia se cotise para fazer os melhoramentos de que careça e que ella devia fazer? Dize tu, mosca branca desta freguezia, dize lá com a tua conhecida imparcialidade se isto é airoso e harmonico com os princípios de administração? Coitado! Viste a correspondência de Ervidel que tão bem soube responder ás tuas calumnias? Pois fica sabendo que o primeiro signatário Antonio Joaquim Torres é o primeiro homem d’aquella freguezia, porque não ha ali nenhum que como elle saiba pôr o seu bolsinho ás ordens dos melhoramentos materiaes e internos da freguezia: isto sim é que é digno de todo o elogio; mas os teus bernes dos Misterios de Aljustrel e a historia do professor M. L. C. dão mais materia para uma bibliotheca do que a nossa derrota para volumes. Coitado, tu és um martyre e temos dó de ti: lembra-te comtudo que os Misterios de Aljustrel e a historia do professor M. L. C. dão mais materia para uma bibliotheca do que a nossa derrota para volumes.