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Aljustrel · Lisboa · Portugal Correspondência · Governo Civil · Igreja · Interpretacção incerta

Correspondencias—(Continuado do n.º 889). Mas n’um n.º d’este jornal disse-se que se ia organisar n’esta villa um centro progressista historico e que era este centro que disputava a eleição á auctoridade: que fez o sr. Cardote? indagou o que havia de verdade a este respeito, dirigindo-se ao chefe do partido historico ou em Lisboa, para poder marcar a sua marcha na eleição? não o fez, logo o sr. Cardote auxiliando a auctoridade guerreou o seu partido. Deve porem s. s.ª estar satisfeito porque teve companheiro; um outro individuo, cujo nome não publicamos, por não estarmos auctorisados a fazel-o, foi a Lisboa apresentar uma representação da junta de parochia da sua freguezia em que pedia a creação de um julgado; e uma noite, nas sallas do centro historico, botou discurso contra o sr. governador civil e fez protesto de lealdade politica ao partido; e sabe o sr. Cardote qual foi o resultado? trabalhou, votou e gritou contra os cavalheiros que em Lisboa e nas mesmas sallas lhe estenderam a mão; e o sr. governador civil cheio de jubilo esquecia 1870 para se lembrar de 1877; esqueceu as injurias de então para receber os favores de hoje, o que o sr. governador civil não tem memoria senão para os que não póde torcer; fez bom, que se aproveite emquanto é tempo é o que nós lhe desejamos. Por aqui vê o sr. Cardote que se o partido historico tivesse muita gente como s. s.ª e como o tal individuo, a existência do partido era ficticia. Faz s. s.ª bem em se defender agora, mas creia que para os seus amigos politicos são sopas depois de jantar: o sr. Cardote não tem desculpa. Como vae já muito adiantada esta correspondencia vamos conversar com o sr. governador civil deixando o sr. Cardote á escuta no seu cubiculo até outra occasião. S. ex.ª o sr. governador civil é o que é; para s. ex.ª todos os governos e todas as politicas são boas; para s. ex.ª não ha respeito pela lei nem pela civilisação: começando a calejar nas luctas de 1846, sob a protecção do governo maldito dos cabraes, está hoje rijo e forte para resistir ás impressões da moralidade e justiça e é por isso mesmo uma e outra caem em estilhaços ao esbarrarem em s. ex.ª Guerreou s. ex.ª a opposição na eleição da camara de Aljustrel e talvez uma grande parte da gente diga que estava no seu direito, pois nós negamos-lh’o, porque s. ex.ª como governador civil devia ter em conta a respeitabilidade do seu cargo para não andar por essas aldeias na companhia de gente que tem sido accusada como elles o teem sido quer n’este quer n’outros jornaes; mas a s. ex.ª pouco lhe importa que o povo se queixe e que a imprensa estygmatise o procedimento das auctoridades! (Continua).