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Beja

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Beja · Portugal Correspondência

Correspondencias — Sr. redactor.—Peço-lhe a publicação das seguintes linhas: Fui victima do incendio que teve lugar em minha casa á praça de D. Manoel na noute de 9 para 10 do corrente e apesar do adiantado da hora em que o sinistro se descobriu, nem por isso deixei de encontrar corações humanitarios que minoraram os meus soffrimentos, e por tanto faltaria ao sagrado dever de gratidão se não viesse publicamente testemunhar o meu eterno reconhecimento para com todos os individuos que concorreram ao local e para com o corpo de policia civil que soube mais uma vez cumprir com a ardua missão a que se destina. A confraternidade e a philantropia são, a meu ver, duas virtudes mais brilhantes que podem adornar as almas nobres e os corações dedicados. Se por esquecimento n’essa mesma noute deixei de pessoalmente testemunhar a cada um de per si o quanto era grande a minha gratidão e reconhecimento, peço a todos os meus amigos que acceitem esta publica manifestação de meu sentimento, pedindo desculpa de não especialisar os seus nomes, porquanto podia offender a modestia e desinteresse de tanta philantropia, se bem que não é facil calar a voz da gratidão, nem escurecer no silencio o eterno reconhecimento a que se tornam credores. Queira v. sr. redactor, ser o interprete dos sentimentos de eterno agradecimento que dedico a todos os individuos que tão generosamente engrandeceram o pouquíssimo que eu valho, porque a todos encontrei sempre solicitos em auxiliar-me e me animaram a todos os meus, em momentos de tanta afflição, com a sua presença e braço. A todos um eterno agradecimento. Creia-me de v. etc. Beja 14 de fevereiro de 1878. Caetano José Ferreira.