Homenagem a Alexandre Herculano. Ill.ma e ex.ma sr.ª
A academia portuense de bellas artes, despedaçada de dôr pela infausta morte do ex.mo sr. Alexandre Herculano de Carvalho, vosso extremoso esposo e nosso academico honorario, vem apresentar a v. ex.ª a expressão da viva magoa que a punge, pela insanavel perda que a nação portugueza e o mundo litterario soffreram. «Em tamanha agonia, as lagrimas são immensas, mas ninguém deve succumbir ao peso da amargura, nem o justo se perde, nem o Genio morre. «Christãos, confiamos que quem nunca abandonou os caminhos da salvação, nem se afastou de sob as azas da piedade divina, alcançou que Deus, na sua infinita justiça, inscrevesse no livro santo dos bemaventurados a grande e pura alma, que chamou a si. «Portuguezes, obreiros da patria, não vacillamos diante da luz sol brilhante, sabemos que o nome memoravel do eximio cidadão que pranteamos, ha de viver sempre na saudade dos seus contemporaneos, no progredir da posteridade e na gloria do seu paiz. Sabemos que a historia ha de escrever este nome immortal na pagina das bênçãos. «Perdoae, senhora, que a academia portuense das bellas artes tente assim consolar a vossa dôr, e que interrompa ainda a vossa saudosa solidão, para levar ao conhecimento de v. ex.ª que, em sessão de hoje, mandou lavrar na acta um voto de doloroso sentimento pela perda do seu membro honorario, e que resolveu collocar na sala das suas sessões o retrato d’este cidadão illustrissimo; e digne-se, senhora, permittir que esta academia offereça a v. ex.ª, conjunctamente com os seus sinceros e entranhados pezames, a homenagem do seu profundo respeito. Deus guarde a v. ex.ª, por muitos annos. — Porto, sala das sessões da academia portuense das bellas artes, em 1 de outubro de 1877. Ill.ma e ex.ma sr.ª D. Marianna Herminia Meira. — Manoel da Fonseca Pinto, director interino — João Antonio Correia — Manoel de Almeida Sobrinho — Thadeu Maria de Almeida Furtado — Francisco José Rezende.