Beijo venenoso
D. F... é uma senhora que apenas conta 35 annos, e que costuma matar o tempo visitando as suas amigas. Fiel a esses costumes, foi ha poucas noites visitar uma familia, onde ha dez senhoras desde a avó até á neta. Depois de largo colloquio, chegou o momento em que a visitante tratou de despedir-se carinhosamente, dando, e recebendo osculos e apertos de mão. —Adeus, queridinha, (zás! quatro beijos). E assim continuou a ceremonia, até que só ficou a dona da casa, que acompanhou D. F... até a porta, dando-lhe repetidos e prolongados beijos. Na manhã seguinte, toda a familia se sentiu com symptomas de envenenamento. O medico chamado á toda a pressa, declarou que as tres eram victimas de uma cólica saturnina violenta. A avó succumbio no mesmo dia: as raparigas curaram-se depois de atrozes dores. Averiguado o caso, soube-se que D. F... costuma pintar o rosto com uma dessas aguas de toucador, feita com carbonato de chumbo (alvaiade), que não só fazem mal ás pessoas que as empregam pela absorpção lenta d’essa substancia venenosa atravez dos poros da cutis; mas que podem occasionar consequências mais terríveis, quando a absorpção é immediata pelo contracto dos labios de outra pessoa, ao imprimir beijos repetidos. Acautelem-se as damas. Antes feias do que pintadas. (Defensor do Trabalho)