Cantada popular
(Da Revolução de Setembro):—(Musica do ladrão do negro ladro). «Ministro, embora o remorso — teu dormir não attribule, — verás surgir em teus sonhos — a negra sombra de Youle. Mau grado a tua esperteza — as mentiras accumule — p’ra ver se acaso te livram — da negra sombra de Youle. Quanto mais a tua audacia — o feio caso fabule — mais vezes te apparecerá — a negra sombra de Youle. Diz embora á tua imprensa — que teus louvores module, — o povo vê junto a ti — a negra sombra de Youle. Que importa que a maioria — de honesto te capitule? — ella não some do empréstimo — a negra sombra de Youle. Causa riso que um ministro — muito probo se intitule — quando está manietado — á negra sombra de Youle. Já não ha Necker no mundo — que as tuas contas regule — de forma que suma d’ellas — a negra sombra de Youle. Brada em vão ao teu povinho — que por ti se congratule: — entre ti e elle surge — a negra sombra de Youle. Quando contares dinheiro — com que o teu genio especule — acharás duas mil libras e a negra sombra de Youle. E por toda a parte agora — em que o teu nome circule — dirão: Lá vem o ministro — c’o a negra sombra de Youle. Quando o Eterno em Josaphat — contigo as contas regule — has de ver a perseguir-te — a negra sombra de Youle. E o anjo terrível — tua sentença articule, — dir-te-ha: — “vae p’r’as caldeiras — c’o a negra sombra de Youle.”»