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Beja / Odemira

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Aljustrel · Beja · Braga · Coimbra · Lisboa · Odemira · Vidigueira · Portugal Governo Civil

O Diario de Portugal declara estar auctorisado para saber por quem affirmar no Bejense: 1.º que o sr. Alonso Gomes não pretende decidir, nem dirigir os negocios eleitoraes do districto de Beja; 2.º que como amigo do sr. visconde da Boa Vista lhe prestará, como tem prestado sempre, o apoio da sua dedicação; e aconselha-nos, por ultimo, a que mudemos de rumo. Pois não seguimos o conselho e insistimos na intriga. O tempo é proprio. Estamos em pleno S. João. O sr. Alonso não pretende decidir nem dirigir os negocios eleitoraes do districto, mas se não intervem n’elles, como explica o collega que, sendo candidato ministerial por este circulo o sr. Perdigão, o sr. Alonso lembrasse a candidatura do sr. Malheiro e trabalhasse por ella? É nisto que está a delicação pelo sr. visconde da Boa Vista? É creando-lhe difficuldades hoje, como o sr. Malheiro lhas creou em 1874 com o sr. Braga, no circulo de Odemira, que o sr. Alonso apoia o sr. governador civil? Vamos, tenham a coragem de affirmar no Diario o que disseram em Aljustrel, o que dizem em Beja. O sr. Alonso lembrou a candidatura do sr. Malheiro ao sr. ministro do reino, e declarou-lhe que fazia questão dessa candidatura? E, se fez tal declaração, o sr. Sampaio, para satisfazer as exigencias do sr. Alonso, levou o sr. Perdigão a ceder da sua candidatura a favor do sr. Malheiro, comprometendo-se o ministro a fazer eleger por outro circulo, por Odemira, o antigo deputado por Beja? O que perguntámos não sabemos se é intriga microscopica ou não; deixámos ao Diario de Portugal que lhe dê a classificação que quizer, mas não o dispensámos de responder. Basta um sim, ou um não, para ficarmos satisfeitos e muita gente desilludida. Porque estranhámos que ao sr. Alonso Gomes fosse dada a direcção suprema dos negocios eleitoraes neste districto, os amigos do grande industrial dizem que não é caso para estranhar, por isso que o sr. visconde da Boa Vista, como está conhecido que o que quer é ser governador civil, nem dos ministros consegue ter uma audiencia, e tanto que da penultima vez que esteve em Lisboa tres vezes procurou o sr. Fontes e foi despedido sempre! Accrescentam elles mais que, ignorando o governo se o sr. Alonso estaria em Beja e querendo tratar d’um negocio melindroso, mandára aqui o sr. José Ferreira Braga, commissionado para tal fim. Lá que o sr. Braga esteve em Beja é verdade; agora se veiu tratar ou não de negocios que interessam á situação, isso é lá com elles. Todavia póde muito bem ser verdade o que dizem os governamentaes do sr. Alonso Gomes. O sr. duque d’Avila, em tempo, pregou ao sr. visconde da Boa Vista egual peça, desconfiou do que sua ex.ª lhe dizia e o sr. Estevão de Alcochete veiu aqui observar uns pontos negros. Pode pois o papel do sr. Estevão ter sido dado ao sr. Braga, pode o sr. visconde da Boa Vista ter perdido a confiança dos ministros, mas não fica bom aos que se dizem amigos de sua ex.ª divulgarem estas coisas, serem os primeiros e unicos a beliscal-o. Mas, em arte, isto não é mal feito. O sr. visconde da Boa Vista assim o quer, assim o tenha. No n.º 433 do Progresso lê-se: Sua ex.ª é como a velha do Tolentino, chama ao rapé por cuidado, e vae fartar-se na alcova do simonte e do ciclate. Censura Coimbra e tapa em Vidigueira! Mas o sr. ministro do reino que faz? Applaude, porque os nove mancebos representam dois mil e tantos votos — um concelho compacto. Nem mais nem menos.