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Beja

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Baleizão · Beja · Lisboa · Portugal Hospital · Igreja · Interpretacção incerta

A festividade ao SS. Sacramento proseguio na segunda e terceira oitava, sendo nestes dias (sabbado e domingo) as missas por musica vocal e instrumental. No sabbado de tarde houve vesperas e sermão, que desagradou, e á noite fogo de artificio. Á vél-a concorreram mais de 18:000 pessoas, mas ficaram, como as que foram assistir á inauguração da ponte sobre o Douro, logradas. As taes bichinhas de rabiar estiveram abaixo de tudo. O fogo foi o senão da festa. Mas o adagio diz que não ha formosa sem elle, e o adagio verificou-se. Domingo deu-se, depois da missa, o jantar aos presos. Constou de sopa, vacca, arroz, assados, doce, fructas, vinho etc. etc. Foi conduzido em 168 aléolas, procissionalmente, á cadeia, e o préstito acompanhavam-no as auctoridades ecclesiastica, civil e militar e as dignidades das irmandades do SS. Sacramento. Depois seguiu-se a procissão; precediam o pallio os ricos andores do Baptista e do Evangelista, e além destes os de Nossa Senhora do Carmo, S. Sesinando, Santo Antonio, Santo Amaro, S. Francisco, Senhor Ressuscitado, S. João Baptista e S. Sebastião. Finda a procissão, que ia magestosa e acompanhada pelo regimento 17 de infantaria, foi a irmandade de S. João dar posse á de S. Thiago, a quem para o anno toca fazer a festividade. Dada a posse queimaram-se, depois do Te-Deum, 130 duzias de foguetes. Entre elles houve alguns eguaes aos que se queimaram em Lisboa por occasião dos festejos ao príncipe do Galles, que causaram enthusiasmo. O fogo da posse foi feito pelo bem conhecido fogueteiro de Baleizão. A irmandade de S. João, durante os dias da festa, deu 20:000 reis aos presos, 30:000 á casa pia e 30:000 ao hospital, para melhoria do jantar. O nosso amigo o sr. José Francisco da Silva, a quem deve ter corrido, como correu, a festividade, compareceu em todos os actos tomando sempre a direcção d’elles. Foi incansavel. Não se excede. Segunda feira ainda houve festa. De S. João foram acompanhadas pela irmandade e pela banda do 17 as imagens ás suas igrejas, e deu-se o jantar chamado da posse, offerecido aos presos pela irmandade de S. Thiago. O serviço de policia foi bem detalhado e bem feito durante os dias da festividade.