Campo de Ourique—22 de julho de 1878. Sr. redactor
Vagueiam por este campo centenas d’homens validos que dentro em pouco serão os senhores da propriedade porque os lavradores tratam de se recolher a sitio povoado porque sabem qual a sorte que os espera quando não possam sustentar os taes vadios, conhecidos por maltezes. Não é raro pernoitar em qualquer herdade vinte e mais maltezes, com quasi outras tantas mulheres porque são poucos os que não andam acompanhados. Quizeramos que a auctoridade superior do districto fizesse o que deve fazer e a força publica servisse para o que deve servir. Ficava o lavrador livre da mais pesada contribuição, não teria a vida em constante risco, e reconhecer-se-ia nos taes maltezes muito assassino, e muito desertor. É o que são. Se faltar a boa vontade e energia, se continuar a indifferença, estamos perdidos! Resistir contra tanto homem munido d’armas não o póde fazer quem vive no campo; e se póde não o faz para não ter que pagar por bom o que é mau. Pedimos providencias em quanto é tempo. Pela publicação desta no seu excellente jornal, com que se fará advogado da causa do povo, lhe fica muito grato, e se confessa. De v. etc. Um lavrador.