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Tribunal militar

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Portalegre · Portugal

Miguel Francisco, soldado n.º 116 da 1.ª companhia e 2:546 de infanteria 17, estando destacado em Portalegre reuniu-se com dois camaradas seus na tarde do dia 4 de março do corrente anno n’uma taverna da rua do Chantre, onde momentos depois entrou o paizano Francisco Concluiche, o qual tendo já anteriormente bebido vinho, e achando-se bastante embriagado, começou a provocar os soldados que estavam na mesma venda. Miguel Francisco e seus companheiros querendo sair da taverna, foi-lhes embargada a saida por Francisco Concluiche, collocando-se entre portas, dizendo que antes de sair, lhe haviam de entregar uma caixa de fósforos que lhe faltava, dando logar assim a que o soldado Miguel Francisco lhe desse um empurrão que o obrigou a cair na frente d’elles. Na rua o paizano começou então a injuriar os soldados chamando lhes ladrões e chamorros, e investindo com Miguel Francisco, de revolver, foi por este fortemente empurrado, caindo desamparadamente no chão, fazendo uma ferida na parte media da região perietal esquerda, tendo de extensão 0m,03 e de profundidade, interessando todos os tecidos até ao osso, sem contudo denotar perigo ou deformidade, sendo necessario mais de 20 dias para se curar e impossibilitando-o de poder trabalhar por algum tempo. Capturados os dois companheiros de Miguel Francisco e este, e sendo aquelles despronunciados e este pronunciado, foi presente em julgamento de conselho de guerra, em sessão d’este dia, que o absolveu, por não se lhe provar o crime de que era accusado.