Correspondencias—Aljustrel, 21 de agosto de 1878. Sr. redactor
O mui digno sr. Cardote, o mui digno prior d’Aljustrel, o mui digno sr. historico, o mui nobre, sapiente, bondoso, virtuoso, etc., esse homem que possue tudo que poderá ter em [ilegível], como por exemplo: gozo [ilegível], esse homem, sr. redactor, já foi seu collega, recorda-se? O ex-redactor do Campo de Ourique, esse vulto repleto de probidade, de firmeza de caracter, não satisfeito com as acções ignobeis, altamente ridiculas, que na sua vida politica aqui tem praticado, traindo aquelles a quem horrivelmente sacrificou, e já auxiliando em antithese vergonhosa a cáfila de quem disse e escreveu improperios, eis que, depois de tantas e tantas, se apresenta na egreja matriz desta villa, nos dias em que a ultima eleição camararia aqui teve logar, não só protegendo a lista intruja como consentindo que aquelle templo sagrado se tornasse indecente mercado, qual bodega de feira. Na sachristia durante alguns dias estiveram o boneco de manganes e seus galopins, creados de alguns Judas hypocritas, excepto o sr. Cardote, oppressores, attrahindo alli quasi á força os timoratos eleitores, desherdados da fortuna, com promessas de futuro, com ouro e já com despoticas ameaças; no que o tão elegante hespanhol, o reflexo do sr. Governador Civil, o intrépido Alonso Gomes, colheu optimo resultado, o que religiosamente foi remunerado mesmo da cama onde estava deitado e repimpado na sachristia, sobre o esquife donde costuma sahir solemnemente a imagem de Jesus Christo. O sr. Alonso, nisto, andou bem mesmo côxo, porque effectivamente só o sr. prior Cardote é que tinha poder para tanto.