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Artigo

Modelo de contestação

Justiça e ordem públicaSociedade e vida quotidianaCapturasCostumes e hábitos

O que se segue, apresenta-se sem mais nem menos, porque nem menos nem mais estava n’uns autos que nos forneceram: «A contestar. Diz Antonio Monteiro Junior contra a justiça que o perseguiu. E’ S. C. A. P: ha infelizmente reconhecido em uma aspera esposa, com que os destinos lhe agrilhoaram uma existencia lugubre, atroz vontade de zurzir a elle esposo!! P: esta infamia tem sido pabullo a endemoninhadas scenas conjugais! (miratur!...). Practerea C. P: se faz da sede da memória saltar á vista do mundo o rubro sangue d’uma mulher, que hoje presa, e com quem vive matrimoniado em casa theuda e mantheuda de portas a dentro em phrase da vetusta ordenação, foi involuntariamente (lá está em cima quem o sabe) e em defesa propria de sua mulhersinha, possessa d’assazgo ensejo. Practerea D. P: e se houve por bem evadir-se de casa por uma quelha abaixo (quelha é a expressão queridinha das testemunhas), como reza tambem o processo, foi porque impoeza sós consigo era costume seu, quando embezerrado, corria a procurar um sitio ermo, aliás, para abalar a sua magoa. R. e J. mel mod. Apresentam-se para defesa as boas das duas testemunhas primeiras em Libello retro. Felgueiras, 20—abril—1864. De advocato.» Saiba o leitor agora que o advogado que escreveu isso concluiu a sua formatura ha dois annos. É um moço de grandes esperanças... para fazer rir a gente—em contestações. (Nacional)