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Artigo

Aljustrel—28 de outubro de 1878. Sr. redactor

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Aljustrel · Portugal Anúncio oficial · Interpretacção incerta

Vou transcrever aqui um aviso que appareceu na casa da sociedade Gremio Recreativo e que prova exuberantemente as dores e o desespero dos nossos adversarios. Ei-lo: Aviso—Por ordem da auctoridade administrativa d’este concelho, é prohibido á philharmonica do Gremio Recreativo se apresente tocando em nenhum logar publico d’este concelho, sendo consideradas como tal qualquer sitio ou logar onde o publico tenha livre accesso, e do mesmo modo são prohibidas outras quaesquer demonstrações que possam provocar ou evitar animos. Da mesma maneira fica prohibido os ensaios na casa da sociedade, ou theatro, até nova ordem. Já se viu nada mais tolo, nem mais atrevido que isto? Nós não acreditamos que da auctoridade emanasse uma ordem desta; um homem que cursou a faculdade de direito não dava uma ordem assim porque devia saber que não tinha jurisdicção para tanto, quando no mesmo dia elle consentia que a outra musica tocasse na rua ao recolher da frescata Figueirinha e na rua da sua sociedade. Esta ordem foi forjada em cabeça mais exaltada e que não vê diante de si senão um desespero muito triste pelo papel ridiculo que está representando pela sua falta de caracter e de critica. Tinham medo que lhe atordoassem a cabeça com a musica? Coitados! como são esquecidos! Então não se lembram dos foguetes e da musica nas eleições de agosto? E a nós prohibiram-nos ainda atirar foguetes! Não nos queixamos da auctoridade porque o podia fazer, mas cabe aqui perguntar: se os intrujões ganhassem a eleição o que é que faziam do fogo que o sr. Metello tem ou teve na sua adega? queimavam-o não é verdade? Não pode ser! Perguntámos: pois hoje como perderam podem por onde medem guisal-o com batatas e convidar para o petisco o sr. Alonso; pode ser que assim se entendam melhor para as eleições que se hão de fazer em janeiro. Toleirões. Não temos hoje tempo para mais; aliás havíamos de conversar com o sr. Metello e com a camara, fica para a semana, porque sempre é bom lembrar as promessas que se fazem; o esquecimento é sempre prejudicial quando o prejudicado é o povo.