Aldeia Nova
12 de janeiro de 1879. (Continuado do numero 944). Ora, este sr. Rogado, réo de miseraveis traições e vis intrigas, delictas de suas habituaes tendencias, por sua apparente industria tem captado a obediencia e o temor da actual junta de parochia, de que elle é escrivão, de modo, segundo o trinar da fama, a sujeitar aquella corporação a actos menos dignos, como o de conservá-lo na qualidade de seu empregado e o de representar o tragico papel de assignar indevida e illegalmente um attestado, que o digno regedor se recusou confirmar, engendrado por elle seu escrivão, abonando seu cumprimento magistral, a sua innocente conducta e sobre tudo a incapacidade de se transformar em Bacchante e Baldomera. Com este pois, o sr. Rogado muitos outros escandalos tem praticado, que bem exuberantemente definem e justificam o seu caracter traiçoeiro e a sua indole nefasta, que o tornam sobremaneira incompetente e até inhabil para instruir, educar e moralisar. Se por ventura estas e outras asserções similhantes, que publica e francamente temos exhibido com respeito ao sr. professor Rogado, lhe parecerem menos justas, menos verdadeiras ou menos razoaveis, franco e publico tambem, se tanto aprouver ao réo para levantar a sua reputação justamente abatida, se acha o fôro, para onde com exhoberante alvoroço invocamos, não as almas dos mortos, mas o irrefragavel testemunho de todas as pessoas de educação e dignidade desta terra, e de fóra della, as quaes alli sem temor, sem receio nem cobardia, mais pronunciadamente que a nossa penna, desenrolarão o sudario das gentilezas do sr. Rogado réo de lesa-humanidade, que no meio daquelle tribunal tambem escutará as vozes unisonas e accentuadas de muitos paes de familia, taxando-o de prejudicial e nocivo á instrucção e educação de seus filhos. Por tanto sr. Rogado, se as agudas e penetrantes vibrações da nossa penna, que são a expressão fiel dos factos positivos, que vimos de apontar, o não movem a ter a dignidade precisa, movam-o ao menos a regenerar-se, devidamente por forma a reter a sua posição social, do que muito necessita, e para o que muito lhe cumpre conduzir-se modesto e temperado, dando a cada um o que é seu physica e moralmente; se bem que não acreditamos a esta regeneração, que igualmente se nos afigura inconciliavel em Aldêa Nova de São Bento, terra a que desejamos ser util e que por isso em abono della ainda não derribámos a guarita, em que nos collocamos de sentinella para continuarmos de soltar aos ares a voz poderosa e constante da verdade, d’este verbo, que deve ser o principal objecto do pensamento e da palavra do homem e da humanidade. Z. (Segue o reconhecimento.)