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Acontecimentos na Europa

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Continua a subsistir nos centros diplomáticos a indecisão ácerca dos assumptos pendentes e tudo nos leva a crêr que este estado de cousas se prolongará por mais algum tempo. As questões que se ventilam, assumindo gravíssimas, teem de ser nitidamente tractadas para que desappareça o germen da discórdia entre as partes interessadas, afim de se evitar futuras perturbações. Uma das questões que seriamente preocupa a diplomacia — a questão oriental — parece concluído que vae em bom caminho para um accordo definitivo não só entre a Turquia e a Grécia, no tocante á rectificação das fronteiras, mas igualmente entre a Turquia e as potências signatárias do tratado de Berlim, no que diz respeito ás reformas a adoptar nas províncias europeias ás quaes o governo de Constantinopla se tem opposto. A questão egypcia apresenta felizmente todos os symptomas de que será resolvida conforme os desejos da diplomacia. Uma folha de Londres o Telegraph diz saber de boa fonte que brevemente terá logar a viagem do Khediva a Constantinopla, facto que, a realisar-se, será sem duvida a confirmação das idéas que sobre tão importante assumpto temos exposto. A Rússia, conforme era de esperar, vae ganhando terreno e influencia nas ditas partes em que o império ottomano se divide, resultado logico da sua victoria, em proveito dos interesses moscowitas, diz o Daily Telegraph, o sultão sancionou uma rectificação de fronteiras na Asia-Menor, o que foi levado a cabo segundo as indicações de S. Petersburgo. E’ este um facto importante e que demonstra a sagacidade dos diplomatas russos que na actualidade estão zombando da diplomacia ingleza. O accordo dos tres imperadores do norte contra o movimento socialista que se vae accentuando nos imperios é tambem um dos assumptos de maxima importancia. Em Odessa, segundo uma carta dirigida ao Novaie Vremia, aguarda-se a chegada do czar; d’ali seguirá para Berlim e receberá do imperador Guilherme uma espada cravejada de brilhantes, commemorando as victorias obtidas pelos soldados moscovitas sobre os turcos. O partido anti russo parece estabelecer-se em Roma e com o apoio de alguns cardeaes e jesuitas. O Direito diz que já tiveram logar conferencias entre representantes do Vaticano e os da diplomacia russa e que a rectificação das fronteiras entre a Turquia e a Grecia se fizera de accordo com a Santa Sé, e outros boatos no mesmo sentido. A imprensa ultramontana da Austria mostra-se descontente e n’alguns pontos revela-se facciosa. A questão da concordia entre a Santa Sé e o governo allemão não progredirá emquanto subsistirem as dissidencias politicas da Bavaria. Em França as novidades politicas continuam sendo absorvidas pelo partido monarchico, e o partido republicano segue activo. Em Hespanha os acontecimentos são menos ruidosos. Em Berlim proseguem as medidas contra o socialismo; em Kiel foram julgados quatorze nihilistas, entre elles algumas mulheres da alta nobreza, sendo duas condemnadas á morte e as restantes a trabalhos forçados na Siberia. As denuncias capciosas entre russos prosseguem. E’ no Peru, Bolivia e Chile onde a guerra toma gravíssimo caracter. O governo chileno continua a armar, o peruano mobilisa, e o conflicto do Pacifico vae tomando maiores proporções. A situação da Europa é grave.