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Aljustrel

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Aljustrel · Lisboa · Portugal Correspondência · Interpretacção incerta

Aljustrel 29 de maio de 1879. Sr. redactor. — Conforme prometti a v. volto no assumpto da ultima correspondencia. Pois sr. redactor, o raio que Jupiter tonante arremessou á sociedade «Grémio Recreativo» não foi um raio — foi uma raia! Veio effectivamente a tal intimação á direcção do «Grémio Recreativo», para que no praso de 24 horas apresentasse na administração o original da comedia burlesca As Eleições!!! Em presença d’um tal disparate, a direcção do «G. Recreativo» resolveu aparar a tal Raia, devolvendo-a a Jupiter tonante, com a declaração de que, não apresentava o original da tal comedia, pelo simples facto de a não possuir, mas que se s. s.ª a desejava com tanto afan, poderia obtel-a de qualquer livraria de Lisboa, pelo modico preço de 120 reis. Jupiter trovejando despeitado, por lhe não ter occorrido tal ideia, amarrotou a Raia, e entregando-a ao seu Ganymedes disse-lhe: —atira-a para os ferros velhos — e lá jaz — porque até hoje, nada mais appareceu sobre o caso. Jupiter, Jupiter, que dó que causas á humanidade... pelas figuras tristes que fazes!... que queres?! depois que minerva sahio da tua cabeça... que podería lá ficar?! Por quem és desce do poleiro, reconhece a tua insufficiencia — medita um pouco sobre ti mesmo, e verás que não estás á altura da missão que inconsideradamente te confiaram. Lembra-te que á imprensa cumpre corrigir as aberrações dos empregados ineptos, assim como á opinião publica, impedir os seus desatinos; pensa nisto, e até mais. Argus.