Aljustrel
14 de julho de 1879. Sr. redactor. — Alguns devotos desta villa desejam fazer uma festividade á venerável imagem de Nossa Senhora do Castello. Foram entender-se com o sr. Cardote para que este, na qualidade de vigário, lhes dar licença. E qual foi a resposta deste ministro da religião?! Respondeu que dava licença, mas impoz a condição de o sr. padre Aguas da Cruz, actualmente capellão da misericordia, não ser convidado para prégar, nem para assistir ás funcções da egreja! Pobre padre Aguas! temos muito dó de ti: não tarda muito que estejas negro como Caim, porque está pesando sobre ti a maldição do sr. Cardote. Pois se não tinhas o que fazer? Pensa o cavalheiro que se continua a ser larica, será por isso que hão de o tornar negro como um carvão, isso este então requer. Repara que o sr. Cardote tem na propria bôa fé das pessoas um elemento com que se prevalece a seu favor para enganar o actual ministro do reino, e o sr. vigário pro-capitular, fazendo-lhes crer que é histórico puro de corpo e alma sendo de todo o bom sangue regenerador! Não viu nas eleições ultimas como elle se distinguia, e como a um tão acérrimo correligionário servia, de instrumento? Não reparastes como elle, desesperado por os regeneradores não poderem ganhar a eleição, mandou tirar todas as velas que tinham os Corações da egreja, no acto eleitoral?! Aconselho-te pois, meu amigo Padre Aguas, que vás ajoelhar aos pés d’este santo pastor, pedir-lhe perdão de não teres seguido a sua política, e jurares de nunca mais o tornares a offender e seres um seu fiel servidor. O que o todos os opposicionistas deste concelho sentimos é continuarmos martyres da pressão de regeneradores.