Simplicidade
Lê-se na Gazeta de Portugal: Ha dias vinha no comboyo do Porto para esta capital um sujeito provinciano, condecorado, o qual alimentava variada conversação com um companheiro, filho de Lisboa, e rapaz folgazão. O provinciano olhava com certa estranheza para os guardas, que ao longo da via ferrea agitam as bandeiras para darem os signaes da aproximação do comboyo. Crescia mais e mais a sua curiosidade, e resolveu-se a fazer ao seu companheiro a seguinte pergunta: — O que querem aquelles porta-bandeiras? — Ah! não sabe? Cumprimentam-no. O sr. é condecorado, e por isso elles são obrigados a ter essa deferencia para com o sr. — Ah! é essa a razão? Já vejo que tenho passado por incivil não correspondendo aos cumprimentos. Dito isto o provinciano começou tirando o chapéo de momento a momento. Ao chegar a Santa Apolonia tinha o braço direito que não o sentia. O companheiro estava cançado de rir.