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Lisboa · Portugal Correspondência

Lisboa, 29 de setembro de 1879. (Continuado do n.º antecedente.) Julgou o anonymo rebaixar-nos dizendo que somos particular amigo do sr. Teixeira, escrivão da administração, mas enganou-se completamente. Temos como subida honra contar em o numero dos nossos amigos, aquelle digno empregado, que servindo, ha perto de trinta annos, com administradores de differentes parcialidades politicas, tem, pela sua inexcedivel honradez e lealdade, e pelo exacto e escrupuloso cumprimento dos seus deveres, encontrado sempre em cada um d’elles um verdadeiro e dedicado amigo. Para o anonymo pode ter o defeito de não frequentar as tabernas, nem o de se envolver em mexericos proprios de quem não tem que fazer; mas são esses defeitos um titulo mais que o recommenda á consideração dos homens de bem. O anonymo apresenta-o como despota, mas esqueceu-se de nos dizer qual é a auctoridade que elle exerce para praticar despotismos... Falla em seguida o anonymo de um emprazamento que diz nos foi feito pelo director do correio, para até 13 do corrente publicar n’este jornal os documentos a que nos haviamos referido em a nossa primeira correspondencia. Não temos conhecimento d’esse emprazamento, que prova a inépcia de quem o fez, e se o seu auctor tinha verdadeiro desejo de resposta, deveria ter-nos enviado o respectivo numero do jornal, de que então ainda não eramos assignante; e a vista d’elle fallaríamos. Por agora só podemos dizer-lhe que, quando nos referimos aos documentos, affirmámos que só nos serviriamos d’elles quando julgássemos necessario e conveniente, e por emquanto ainda não vemos nem essa necessidade, nem essa conveniencia, cujo conhecimento o director do correio assim se foi arrogando incompetentemente. Já vê o anonymo que a insinuação que fez de que esses documentos se estavam preparando agora é simplesmente torpe, e mostra o de quanto seria capaz, se tivesse á sua disposição os archivos publicos. E’ de uma pessoa desatar á gargalhada ao considerar aquella allusão ao facto de os papeis d’aquella repartição andarem por diversos caminhos e por isso não serem escripturados [ilegível]. Previa o anonymo a scena a que tenderia o assumpto e quiz accreditar á sua certeza do facto, como se elle fosse [ilegível]. Tivesse havido ordem e methodo n’aquella repartição, como era de esperar, não estariam impressos e papeis por caminhos clandestinos e por grandes [ilegível]. Teve a sua devida resposta. M. J. Rodrigues de Figueiredo.