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Lisboa · Portugal Câmara Municipal · Correspondência · Interpretacção incerta

12-12-79. (Correspondencia particular.) Cidadão redactor. — Já ha tempo bastante que a imprensa da capital tratou com todo o disvelo e zelosa imparcialidade a questão dos padeiros, e foi defendida por todos os meios legaes a postura municipal que tende a regular o peso do pão, para assim evitar uma fraude de que o povo está sendo victima. A postura foi enviada ao parecer do conselho de districto e da junta geral; o conselho de districto suspendeu-a e a junta geral enviou-a para o limbo! O conselho de districto auctorisa o roubo, e a junta geral legalisa-o! E a camara municipal? Aonde está a sua auctoridade? Então o conselho de districto e a junta geral assim podem inutilisar a autonomia de uma corporação que deve ser respeitada? Isto não póde nem deve ser assim! Se a reforma administrativa com que o governo nos quer presentear, consigna absurdos d’esta natureza, regeitamol-a porque é inadmissivel que as camaras municipaes sejam subordinadas a uma tutella vergonhosa. Voltando ao meu ponto de partida fico surprehendido em presença da grande força de que dispõem os padeiros, é admirável! não sei se pela sua influencia pessoal ou pela attracção metalica elles conseguiram callar toda a imprensa, á excepção do Trinta que tem sido incansável em defender a postura reguladora do peso do pão, e o Jornal do Commercio que com o maior descaramento defende a fraudulenta deliberação do conselho de districto e junta geral! Seja pela sua annunciancia, ou pela attracção metalica, o que é certo é que os padeiros tiveram a habilidade de subornar todos quantos lhe pudessem impedir a continuação fraudulenta de venderem o pão com o peso que lhes convier. Quando o conselho de districto de comum accordo com a junta geral obrigaram a camara municipal a passar pela baixissima humilhação de mandar arrancar uns editaes que no dia antecedente tinha mandado affixar nas esquinas, os quaes determinavam a postura que regulava o peso do pão, alguns cidadãos indignados com este procedimento, resolveram organisar uma commissão composta de membros de todas as freguezias, e dirigir ao governo uma representação requerendo a immediata dissolução do conselho de districto e da junta geral; não sei bem se a commissão se chegou a organisar, o que sei é que não chegou a funccionar, tal é a influencia dos taes padeiros?! Taes são as forças de que dispõem?! Mas espero até mesmo que os salafrarios a quem elles teem pago opíparos jantares então fiquem menos satisfeitos do que aqui ha dois annos ficaram com a passeiata e o jantar. Reuniu na segunda feira 1 do corrente a assemblea geral do centro republicano de Lisboa. A concorrencia foi numerosa, a discussão foi uma das mais calorosas que ali se tem presenceado. Presidiu o cidadão Sousa Brandão, servindo de secretarios o dr. Eduardo Maia e um outro cidadão cujo nome me não recorda. Tomaram a palavra os cidadãos Eça Ramos, dr. B. Pinheiro, C. Martins Pereira, dr. J. Terenas, Machado, dr. E. Maia, Paulo da Fonseca, dr. T. de Martel, J. Feio Terenas, M. Bruno, A. M. Lopes Castello Branco, Costa, e alguns outros que me não recordam os nomes. A sessão encerrou-se á uma hora e meia da noite ficando reservada a palavra a alguns cidadãos para a reunião extraordinaria que se deve realisar na proxima segunda feira 15 do corrente. Em o proximo numero darei conta dos trabalhos das duas sessões que aliás são importantes. Recebi o Almanach Portuguez, agradeço ao sr. Ximenes a delicada offerta com que se dignou brindar-me, pois que é um dos melhores almanachs que tenho visto este anno. M. Bruno.