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Artigo

VILLA NOVA DE MILFONTES

Educacção e instruçãoSociedade e vida quotidianaAssociaçõesCostumes e hábitosExames
Odemira · Vila Nova · Portugal Interpretacção incerta

12 de janeiro de 1880. Quando acabei de lêr a resposta ao meu communicado, adoptivo, como diz o noticiarista d’Odemira, não pude deixar de vir, por me lembrar um rifão antigo: “A ovelha mais ruim...” Com tanta gente que ha em Odemira, e alguns talvez com mais fundamento para fallar a tal respeito, ninguém teve a insolência d’este palrador. Quem ouvir palrar este bicho hade julgar que é alguém. Sua s.ª faz favor de me dizer em que universidade se formou? Não me diz ao menos quantos exames tem feito? Quantas habilitações tem apanhado? Um homem de tanta sabedoria devia ter alguns exames para qualquer emprego, e porque sempre tem sido muito abastado, talvez não precisasse d’elles; todavia, para se distinguir na sociedade, deve ter, não poucos exames. Sua s.ª chama-me plagiario; talvez que tenha de sêl-o em trasladando alguns trechos da sua biographia. Ainda assim sua s.ª, no meio das suas chocarrices deu-me um bom conselho, que de certo não o tem tomado para si. Diz-me: “Seja reconhecido do grande favor que lhe fizeram”. Pois sim, s.ª, o reconhecimento que tem tido para com os seus benfeitores, tem sido descompôl-os na imprensa e fóra d’ella; e sabendo eu qual é o seu costume, que d’aqui a pouco me fará o mesmo, desde já o previno que é a ultima vez que respondo ás suas chalaças, para evitar que alguma me aqueça e me veja obrigado a sujar as mãos. Pode motejar á vontade, que não me faz sangue. Peço a V. S.ª que indague quem me ensinou esta lição. Joaquim Augusto d’Oliveira.