Ferimento
No domingo, 15 do corrente, ao anoitecer, foi ferido, com uma facada no ventre, um soldado do batalhão de caçadores 8, estacionado n’esta cidade. O ferimento foi gravíssimo, e o infeliz succumbiu ás consequências d’elle na tarde do dia 20, apesar dos incessantes cuidados, ministrados pelo habil facultativo do corpo, o sr. Ribeiro. Este acontecimento desastroso veio encher de consternação toda uma cidade, que está costumada a ver reinar dentro de seus muros a mais perfeita tranquilidade. O povo de Beja tem conservado, sempre, as mais admiráveis relações, com as differentes forças militares, que aqui tem vindo estacionar-se, e esperamos que este facto de modo algum as virá alterar. Os resultados de uma pendencia, passada entre dois indivíduos não podem nunca reflectir-se sobre as classes a que elles pertencem. O soldado é filho do povo: se o brioso batalhão de caçadores 8 chora hoje a morte de um seu camarada, o povo de Beja lamenta a morte de um seu irmão. Factos d’esta ordem compungem todos, mas não ferem a dignidade de ninguém; a offendida n’este caso é a lei, e a iniciativa da desafronta incumbe á auctoridade e só a ella. As auctoridades administrativas tornam-se credoras dos nossos mais subidos louvores pela actividade e zelo com que tem diligenciado a captura dos criminosos. O sr. Neves, que exerce hoje as funcções de Governador Civil, e o sr. José de Moraes, administrador do concelho interino, em consequência do mau estado de saude do sr. Castro, conseguiram a prisão de dois indivíduos, que se suppõe serem os principaes autores do crime. Entendemos que n’este empenho das auctoridades, e no facto da captura está posta a mais airosa satisfação que pela parte que houvesse de julgar-se offendida.