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O nihilismo continua a ser o assumpto obrigado nas discussões suscitadas na imprensa europea, e, apesar do czar, na occasião do ultimo attentado, ter dito aos altos dignatarios do imperio que o felicitavam que a opinião dos homens sensatos estava do seu lado, o facto é que a maior parte das folhas, ainda mesmo das que seguem a escola conservadora, condemnam a sua teimosia em se recusar a outorgar uma constituição. As festas do dia 2 do corrente em S. Petersburgo fizeram-se sem o maior incidente; escusado será dizer que as festas foram meramente officiaes. Os nihilistas entenderam não as dever perturbar, o que não quer dizer que abandonassem os meios de conspiração seguidos até aqui; a conspiração é vasta e póde ser classificada como o prologo da revolução. Um assumpto não importante esteve, durante a semana, na tela da discussão — referimo-nos ao nihilista Hartmann, preso em Pariz, a pedido do embaixador moscovita. Hartmann é considerado como um dos implicados no attentado de Moscovo. O embaixador russo exigio que o preso fosse entregue ás auctoridades do seu paiz, ao que o governo da republica não annuio, depois do relatorio de Casot. Mandou porém sahir Hartmann de França. As folhas italianas occupam-se do discurso da corôa na abertura do parlamento, discurso que exprime a esperança que a presente sessão não será nem menos activa nem menos fecunda que a anterior. Ora já que fallámos ácerca da Italia, vem a proposito dizer alguma cousa relativamente aos manejos da Italia irredenta, cujos clubs se teem dissolvido; actualmente existe um unico de certa importancia em Napoles; porém não é de crêr que de Napoles se organise a expedição ao Tyrol. Em todo o caso o governo austriaco, e n’isto está a importancia do assumpto, mandou proceder a grandes reparos nos fortes que defendem as gargantas do Tyrol. Comquanto se considere que o gabinete de Vienna tem em vista precaver-se contra o espirito bellicoso que se observa em Berlim e S. Petersburgo a proposito da questão oriental, comtudo os movimentos bellicos por agora encetados despertam a attenção da imprensa italiana. Oxalá que das ambições de uns e da precipitação d’outros não tenhamos a lamentar novos e mais graves successos. A Republique Française, orgão do sr. Gambetta, diz que está começada a guerra, mas que será preciso salvar o senado contra a propria vontade d’este. As folhas radicaes reclamam a applicação das leis existentes contra os jesuitas.