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Lisboa · Porto · Portugal Correspondência

O sr. duque d’Avila dirigio ao nosso apreciável collega do Diario da manhã a seguinte carta: «Sr. redactor:—No jornal do Porto Primeiro de Janeiro assevera-se no artigo de fundo do numero de 6 do corrente que fui eu quem primeiro alcunhou, de capa de ladroes, o manto da realeza, escrevendo essa phrase n’uma carta, que dirigi a El-Rei, por occasião da votação da camara electiva, que deu origem á minha ultima sahida do ministerio. Devo declarar, que o redactor do artigo, a que alludo, foi muito mal informado; porque nunca, nem verbalmente, nem por escripto, empreguei a phrase, que elle me attribue. Rogo a v. o favor de fazer inserir esta carta com a possivel brevidade no seu acreditado jornal. Sou com muita consideração. De v. etc. Duque de Avila e de Bolama. Janeiro 7 de 1881.» A esta carta respondeu o Primeiro de Janeiro, no seu n.º 8, do modo seguinte: «Se nos perguntassem se o sr. duque de Avila escrevera ou dissera a el-rei palavras textuaes, que o manto da realeza era capa de ladroes, nós responderiamos immediatamente, e sem necessidade de rectificação do sr. duque, que tal não succedera, nem podia succeder. Perfeitamente de accordo. Mas se da fórma passamos para a idéa, ainda o desmentido subsiste? That is the question. Por outros termos:—é ou não verdade ter existido aquella carta do sr. duque de Avila a el-rei? É ou não verdade que, n’essa carta, o sr. duque dizia, que, pelo chamamento dos regeneradores, o manto da realeza se faria capa de uma coisa qualquer referida á questão da Penitenciaria? E essa coisa admittimos hoje, como no nosso artigo de 6 do corrente, que podesse ser designada por uma periphrase, tão respeitosa quanto o assumpto a comportava, mas cuja idéa não podia ser outra, senão a que os jornaes progressistas, usando ou abusando das liberdades da imprensa, traduziam com mais desabrida concisão. Ainda assim, devemos dizer que não temos idéa de que empregassem geralmente a formula capa de ladroes. Diziam, de ordinario: capa dos heroes da Penitenciaria, capa dos delapidadores convictos, etc. Tudo vinha a dar na mesma; mas no entanto, eram periphrases, que de alguma sorte attenuavam a brutalidade d’aquella formula. Esta, repetimos, é que é a questão. Usando de uma periphrase mais ou menos respeitosa e palaciana, empregou todavia o sr. duque d’Avila a palavra capa e expressou aquella idéa? A carta do sr. duque d’Avila, que o Diario da manhã publica, não nos auctorisa a dar como resolvida essa questão, porque ella só se refere áquella formula, para a qual não era necessaria rectificação. Em todo o caso, aceitaremos como boa, e de inteira fé authentica, qualquer rectificação, que o sr. duque entenda dever fazer n’este sentido. Aos leitores deixamos os commentarios.» O sr. deputado Fialho Machado pedio toda a correspondencia trocada entre a direcção geral das alfandegas e a alfandega grande de Lisboa a proposito de um requerimento apresentado por um tal Alves, pedindo que fossem isemptos de direitos varios volumes de mobilia.