Beja 1 de Abril
Foi ha pouco concedida ao sr. conselheiro José Carlos Infante Passanha a exoneração, que sollicitára, do cargo de governador civil deste districto. Se a lealdade partidaria determinou s. ex.ª a acompanhar na desdita os seus amigos politicos e a aquinhoar nos trabalhos e nas privações que vão soffrer, a justiça que se deve a adversarios francos, leaes, nobres e generosos, move-nos a declarar que o sr. Infante Passanha foi modelo e exemplo de funccionario integro e sisudo, prudente e conselheiro. Deu s. ex.ª bastas e eloquentissimas provas de que possue, a par dos predicados que ennobrecem o cavalheiro distincto e o empregado zeloso, uma qualidade rarissima; uma qualidade que, n’esta epocha em que o mandarinismo trabalha sem cessar por invadir tudo e avassallar todos, se pode chamar, com impropriedade, uma virtude: a de respeitar as franquias e immunidades das administrações locaes. Todos os que vêem na verdadeira descentralisação administrativa a mais poderosa e efficaz garantia dos direitos individuaes e dos direitos politicos; todos os que esperam da inteira liberdade do municipio a nossa regeneração nacional e a reforma dos costumes publicos, lembrar-se-hão sempre com reconhecimento da maneira fidalga com que o sr. Infante Passanha tratou as camaras municipaes do districto, do escrupulo com que lhes respeitou os foros e da resolução com que por vezes as defendeu contra os insultos de arrogantes mandões. Exemplo do espirito de facção, não usou da auctoridade para ferir odios pessoaes nem malquerenças partidarias, e ensinou como se pode possuir a força e ser moderado, como se sabe triumphar e ser magnanimo. Dando ao sr. Infante Passanha o valor que merece, nada mais fazemos do que cumprir o estricto dever. Ninguem, por certo, lançará á conta de lisonja ou adulação as nossas palavras: não se adora o sol no occaso nem é a primeira vez que O Bejense cala as paixões politicas para fazer justiça a adversarios briosos e leaes.